Pensei na minha mãe, hoje. Não no facto de ser mãe, mas no exercício de pensar. Já escrevi, mas volto a faze-lo. Pensar. Penso muito e sempre pensamentos sobre muitas coisas, tantas que, até dói.
Não digo que não pensasse na minha vida antes de ser homem. Até pensei e muito, mas também sei que pensei muito rapidamente. Pensava porém nas coisas aos pedaços, sem ligação entre si, nisto e depois naquilo, naquilo que estava muito longe disto. Uma pessoa como eu não consegue deixar de pensar, mesmo quando o deseja imperiosamente, e está sempre a pensar. Os pensamentos de todos os dias só tocam a superfície do mundo, em coisas que já foram executadas ou estão para serem executadas, assim vou ocupando o tempo que sobra em mim.
Penso, pensamentos que não atingem o que realmente importa. Para tal, é preciso creio eu, aproximarmo-nos do fundo das coisas, o que só se consegue quando nada se tem, nem nada se pode fazer. Por isso, eu penso muito. Por estas coisas, pensamos muito.
É como pensarmos: “se um dia ganhar o “euromilhões”, eu faço.. eu..”. Porque nunca nos sairá nada. E se sair, nada será igual e não pensamos da mesma maneira.
Este pensamento só por si parece-me um sinal que que já estou a pensar como devia, porque, na verdade, a primeira coisa que se pode dizer sobre a nossa vida é que ela é um exagero, um excedente, uma coisa que podia muito bem não ser, que por-ventura nem devia ser de tão frágil que é.
O pensamento, repito, não é uma sucessão cronológica de conteúdos, mas sim feito de saltos, paragens súbitas, reviravoltas, recuos. Não quero contar a minha vida, ela só tem de particular a de ser simplesmente a minha. Pretendia era vislumbrar a história que lhe traga algum sentido, algum sustento, algo que hoje eu conseguisse entender.
Uma pessoa deitada pensa diferentemente do que quando está de pé, assim como os pensamentos são outros quando se vai a andar ou quando se vai correr. Eu considero que uma cama quando me deito é parte responsável pelo que me vem à cabeça. Não necessito de qualquer esforço. É só aconchegar-me na almofada e antes de embalar, tudo é desigual.
Não é grave viver o dia a dia. Grave era o que ia dentro da minha cabeça que não deixa de pensar, excepto quando adormecia pelo cansaço ou pela bebedeira dos pensamentos aos pedaços.
A minha dor não tem cor. Não quero dizer que tenha qualquer razão, mas quando fecho os olhos começo a pensar assim.
Porquê?
Conforme o que vou pensando, vão-se sucedendo as respostas dúbias e soluções confusas para o que mais parece um enigma.
É mais fácil descrever um copo de água ou uma paisagem destruída. Os sábios que pensem durante o dia. Eu irremediavelmente voltarei a pensar muito quando, o aconchego do travesseiro chegar. A minha mãe era a minha mãe. Sei.
(..06Mai’07)
Não digo que não pensasse na minha vida antes de ser homem. Até pensei e muito, mas também sei que pensei muito rapidamente. Pensava porém nas coisas aos pedaços, sem ligação entre si, nisto e depois naquilo, naquilo que estava muito longe disto. Uma pessoa como eu não consegue deixar de pensar, mesmo quando o deseja imperiosamente, e está sempre a pensar. Os pensamentos de todos os dias só tocam a superfície do mundo, em coisas que já foram executadas ou estão para serem executadas, assim vou ocupando o tempo que sobra em mim.
Penso, pensamentos que não atingem o que realmente importa. Para tal, é preciso creio eu, aproximarmo-nos do fundo das coisas, o que só se consegue quando nada se tem, nem nada se pode fazer. Por isso, eu penso muito. Por estas coisas, pensamos muito.
É como pensarmos: “se um dia ganhar o “euromilhões”, eu faço.. eu..”. Porque nunca nos sairá nada. E se sair, nada será igual e não pensamos da mesma maneira.
Este pensamento só por si parece-me um sinal que que já estou a pensar como devia, porque, na verdade, a primeira coisa que se pode dizer sobre a nossa vida é que ela é um exagero, um excedente, uma coisa que podia muito bem não ser, que por-ventura nem devia ser de tão frágil que é.
O pensamento, repito, não é uma sucessão cronológica de conteúdos, mas sim feito de saltos, paragens súbitas, reviravoltas, recuos. Não quero contar a minha vida, ela só tem de particular a de ser simplesmente a minha. Pretendia era vislumbrar a história que lhe traga algum sentido, algum sustento, algo que hoje eu conseguisse entender.
Uma pessoa deitada pensa diferentemente do que quando está de pé, assim como os pensamentos são outros quando se vai a andar ou quando se vai correr. Eu considero que uma cama quando me deito é parte responsável pelo que me vem à cabeça. Não necessito de qualquer esforço. É só aconchegar-me na almofada e antes de embalar, tudo é desigual.
Não é grave viver o dia a dia. Grave era o que ia dentro da minha cabeça que não deixa de pensar, excepto quando adormecia pelo cansaço ou pela bebedeira dos pensamentos aos pedaços.
A minha dor não tem cor. Não quero dizer que tenha qualquer razão, mas quando fecho os olhos começo a pensar assim.
Porquê?
Conforme o que vou pensando, vão-se sucedendo as respostas dúbias e soluções confusas para o que mais parece um enigma.
É mais fácil descrever um copo de água ou uma paisagem destruída. Os sábios que pensem durante o dia. Eu irremediavelmente voltarei a pensar muito quando, o aconchego do travesseiro chegar. A minha mãe era a minha mãe. Sei.
(..06Mai’07)

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