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domingo, 20 de maio de 2007

Complexidade da honestidade!

Hoje apetece-me falar de um filme que vi este fds. Recomendo vivamente: Stay – "Não desenterres o passado".

Amy é adorável, séria, em quem se centra o filme. Um filme inteligente. Bom. Deixamo-nos agarrar ao sabor da doce Amy, que num dado período da sua vida bem jovem, foi impulsiva.
É este acontecimento o tema central de todo o filme. O drama é desencadeado por uma confissão de Amy que não quer esconder de John (seu namorado) qualquer segredo.
Queremos que tudo de certo com ela e com o seu namorado. É um filme na medida da sensibilidade de poucos ou o adocicar da mente da maioria.
Este filme possui definitivamente o factor choque. Não é um filme para gente imatura. Apetece-me dizer: CUIDADO, não tem bolinha, mas é um filme para gente adulta. Diria antes, não chega ser-se adulto, mas sim, ser-se, sem preconceitos.
A história é totalmente original. A ideia é inteligente, até o humor negro acerca da complexidade da honestidade.
Se tiverem a oportunidade de ver este filme, façam-no, merece, mais que não seja para serem chocados e fazer-vos pensar. Não é definitivamente para pessoas jovens ou susceptíveis.
A segunda questão depois de sermos confrontados com o choque é:

"O quão verdadeiro é o medo de expor os nossos segredos mais escuros e profundos, à pessoa que se ama?"

É caso para dizer, digo eu.. Alguma coisa da nossa vida passada deverá manter-se secreta?
Os castos, dirão, sim! Mas.. Será que viveremos bem nesse equilíbrio de emoções?
Não acredito. Sou pela Amy, mas cada um é dono do seu verdadeiro carácter. Morro nas omissões. Gostava partilhar as coisas do meu crescer.. Sei, nem sempre é possivel. Ainda sonho.

O segredo vai mudar radicalmente a vida de Amy. A sua imagem sofrerá um rude golpe aos olhos da família. Crente, moralista e conservadora, o edifício familiar mais bem construído não resiste ao choque de algo que se passou anos atrás e que o infractor confessa de livre vontade, caindo de imediato em desgraça.
Não é a reacção dos pais conservadores que até é esperada que nos surpreende, mas sim, surpreende e constitui uma revelação é, a mudança radical de comportamento do noivo que, de um momento para o outro, passa a olhar a mulher dos seus sonhos e sua noiva, como uma mulher vulgar. A separação com John é inevitável. A rejeição acontece.
Não para o meu pensar ou jeito de ser.
Alguém contrariou a ideia do final do filme, ser feliz (tudo dá certo..) e rotula-o de um "...final à americana, moralista".
Certo é que preferia que no final, a Amy contasse o seu segredo ao seu segundo noivo e este a aceitasse. Mas..

Li numa entrevista o que o realizador respondeu, ao mesmo pensar:
"Se a história fosse sobre uma personagem aprendendo o que é o amor incondicional, esse seria o final evidente e mais fácil, mas também penso que é importante mentir. Penso que as pessoas frequentemente magoam e ferem os outros, confessando coisas que deveriam guardar para elas próprias. Penso que quando se diz a alguém coisas que podem magoar as pessoas que se ama e que elas não conseguem ultrapassar, será mais saudável gerirmos as nossas mentiras com inteligência".

Sem mais palavras. Fiquei estupefacto, melhor não diria.

Questionada sobre o seu papel na mesma entrevista, o que pensa do "amor-perfeito"! Amy referiu:
"O “amor-perfeito” é.. hum!.. Acho que é o amor com uma grande dose de doçura e, como neste filme, a doçura e a honestidade não andam muitas vezes de mão dadas, muitas vezes a honestidade é brutal, choca-me sempre por que sendo brutal, devemos dizê-la?..
Creio que o “amor-perfeito” é feito de muita gentileza e ternura nas doses ideais."


Sem mais palavras, quando a simplicidade vagueia em qualquer lado.


(.. 20Mai’07)


Nota: FUR - Retrato de Diane Arbus - Nicole Kildman.
Gostei muito de ver o filme, outro género, lembrei-me do filme, "As Horas". O mesmo encanto, a mesma doçura, os choques, os pensamentos. Se deixarmos fluir, as coisas acontecem por alguma razão.

2 comentários:

Élia Laranja disse...

Simplicidade

"O sentido da palavra simples é muito profundo.
Simples significa completamente puro.
Ser sem ego é ser simples. Não ter raiva é ser
simples. Não ter ganância é ser simples.
Na extensão em que uma pessoa é simples,
assim ela é bela, ou seja, real. Para se tornar simples
seja inocente do conhecimento de tudo que é falso
e ilusório, e torne-se um mestre no conhecimento da verdade."

Brahma Kumaris

Anónimo disse...

EU vou ver esse filme fiquei curiosa