Adormeci no abraço de despedida do meu filho (12). Voltei a estar com ele hoje. Lá veio ele ter com o velho bem cedo para lhe emprestar a velhice de rodas velhas, porque ele, ele não, o novo dele, com rodas novas, teve de ir para a oficina colocar o gancho para o atrelado. Só assim poderá levar a sua belíssima mota. Assim foi ele todo contente o dia todo, passear o meu velho com rodas ainda mais velhas.
Não fez qualquer figura junto dos amigos com o meu velho de rodas velhas, mas mais importante, é ter abraçado as saudades que ainda faltavam abraçar. Abraçou quase todos. São muitos. Todos o querem. O tempo é curto. Dividir é uma carga de trabalhos. O tempo não se divide, partilha-se.
No final da tarde lá foi ele entregar a relíquia, a minha velhice com rodas velhas. Velhote – diz ele! Este velho ainda anda umas coisas! Mas, como não faz de carrinha, não posso ficar com este outro velho. Está bem – disse eu. Ainda bem, mais fica, nem gosto do teu mais novo, retorqui eu. Sorriu! E eu sorri.
Abraçámo-nos e penso que hoje foi mesmo a última vez.
Só eu sei porquê e Deus também.
Gostei de ter o meu filho, “mais maior grande” talvez, junto de mim, tantos dias. Gosto muito do meu filho.
Amanhã, partirá ele, estrada fora, com direcção ao paraíso que ele e sua esposa criaram. Nova família lhe tocou. Ele gosta de estar assim, de todos eles. Assim merece viver.
Onde gostamos mais de estar é onde deveríamos de ter a coragem de viver. O resto não interessa nada. Ele e eu, sabemos isso desde que nascemos.
(.. 12Jun’07)
Não fez qualquer figura junto dos amigos com o meu velho de rodas velhas, mas mais importante, é ter abraçado as saudades que ainda faltavam abraçar. Abraçou quase todos. São muitos. Todos o querem. O tempo é curto. Dividir é uma carga de trabalhos. O tempo não se divide, partilha-se.
No final da tarde lá foi ele entregar a relíquia, a minha velhice com rodas velhas. Velhote – diz ele! Este velho ainda anda umas coisas! Mas, como não faz de carrinha, não posso ficar com este outro velho. Está bem – disse eu. Ainda bem, mais fica, nem gosto do teu mais novo, retorqui eu. Sorriu! E eu sorri.
Abraçámo-nos e penso que hoje foi mesmo a última vez.
Só eu sei porquê e Deus também.
Gostei de ter o meu filho, “mais maior grande” talvez, junto de mim, tantos dias. Gosto muito do meu filho.
Amanhã, partirá ele, estrada fora, com direcção ao paraíso que ele e sua esposa criaram. Nova família lhe tocou. Ele gosta de estar assim, de todos eles. Assim merece viver.
Onde gostamos mais de estar é onde deveríamos de ter a coragem de viver. O resto não interessa nada. Ele e eu, sabemos isso desde que nascemos.
(.. 12Jun’07)

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