É incoveniente.
Rio-me com as gentes que só tem certezas na vida dos outros e nunca nas suas. A certeza é uma coisa terrível, fixa e esgota o pensamento. O que vale é que uma certeza não sustém põe si só, uma certeza trazendo consigo inúmeras dúvidas.
Rio-me bastante. Sou assim. Que fazer? Abstrair-me do controlo das gentes que assim pensam? Não!
Ainda hoje me pergunto, se algum dia eu soube dizer se alguém me amou. No que respeita aos sentimentos das mulheres por mim, eles foram sempre um grande mistério. Os mistérios atraem-me. Nunca soube a razão. Mas verdade seja dita, sempre fui capaz de sair quando me sinto mal.
Não me lembro de nenhuma aula especial, Nunca tive aulas de sexo. Nunca tive aulas sobre o amor. Não me lembro de alguém explicar-me a razão; porque sinto que as mulheres mentem mais do que os homens?
Apesar de me parecer estranho, não me importava, até aos dias que perguntei vezes demais.
O abandono não é exequível pelo homem, mas sempre e isso é facto provado, pelo abandono da mulher em pequenos nadas, de coisas que vai deixando repetir todos os dias, prometendo um novo rumo, também esse, todos os dias.
As mulheres que eu gosto, são felizes noutros lugares. Nunca comigo. Nunca entendi a razão. Mesmo que elas digam que são infelizes e quando estão comigo, digam que eu sou o eterno, mentem. Sabem mentir.
Sofro, mas hoje já nem ligo, penso que fui sempre assim. Feito para sofre, porque noutra vida, já fui ou vou ser feliz.
De novo e tantas vezes, vem-me à cabeça que fui abandonado de novo e mais uma vez, apesar das diferenças, é porque mereço ser abandonado. Este pensamento, no qual volto agora a pensar, faz-me doer muito porque não o consigo resolver e talvez fosse muito fácil de resolver. Acho, deveria conseguir ser um espectador imparcial o que eu não posso ser. Sair de mim próprio e ver-me como se fosse outro. Eu sou parte do problema e o problema faz parte de mim.
Confesso que jaz as minhas culpas cada vez mais num lugar qualquer. Inicio algum prazer mesmo que abstracto deixar de me considerar culpado, de ser como sou.
Na verdade, só não quero ser mais abandonado ou julgar e sentir que sou abandonado, ou sequer conhecer o que era o amor, já que tudo isso me parece ser a mesma coisa, uma coisa profundamente dolorosa.
Os tempos mudam, eu não consigo mudar o que penso sobre mim. Mudar-me seria castrar-me e eu sei que isso era pior para mim e para a mulher que um dia vier a gostar de mim.
Para mim, voltar ao dia anterior, mata-me. Nunca fui mais feliz. Sei, que só uma me conseguiu semear o caminho da volta. Quando acaba, acaba mesmo. Se num futuro porventura se a voltar a ver ou ela a mim, sei, não a reconheceria, nem ela a mim, porque os dias e os anos vão ocultando o lado visível do que fomos, transformando-nos lentamente noutros, para nós próprios desconhecidos.
No que eu quero pensar é nas razões da minha vida, no grande desconcerto que é a minha vida, no que está por detrás dela. As namoradas que tive depois da minha 1ª. separação faz muitos anos, nunca duravam muito tempo, nem que não fosse porque o meu medo de ser novamente abandonado me fazia com que as abandonasse antes de esse traumático acontecimento poder vir a acontecer.
Todas eram melhores do que eu. Esta é uma das vantagens de nos pormos a pensar: Criamos relações e comparações onde antes não as havia.
Quem tem respostas para tudo, engana-se quase sempre. Ainda penso que quem me olha sem me tocar, engana-se, mas eu nunca me importei nem importo, só me importo com as gentes que um dia me atrevi a sentir que amei, podia ser outra coisa, mas sei que quando utilizo essa palavra é sempre do meu coração.
O terrível em ter tempo para pensar é aprofundarem-se coisas que era melhor não serem aprofundadas.
As mulheres sabem sempre o dia e a hora em que cometemos qualquer infracção. Esta fabulosa memória tinha, tem, os seus inconvenientes. É muito difícil uma pessoa defender-se de acusações tão exactas.
Tenho e terei medo das mulheres, até que um dia eu consiga entender, porque têm tanta falta de coragem para viver se, chorar e sofrer é a coisa que elas mais abraçam.
(.. 10Jun’07)
Rio-me com as gentes que só tem certezas na vida dos outros e nunca nas suas. A certeza é uma coisa terrível, fixa e esgota o pensamento. O que vale é que uma certeza não sustém põe si só, uma certeza trazendo consigo inúmeras dúvidas.
Rio-me bastante. Sou assim. Que fazer? Abstrair-me do controlo das gentes que assim pensam? Não!
Ainda hoje me pergunto, se algum dia eu soube dizer se alguém me amou. No que respeita aos sentimentos das mulheres por mim, eles foram sempre um grande mistério. Os mistérios atraem-me. Nunca soube a razão. Mas verdade seja dita, sempre fui capaz de sair quando me sinto mal.
Não me lembro de nenhuma aula especial, Nunca tive aulas de sexo. Nunca tive aulas sobre o amor. Não me lembro de alguém explicar-me a razão; porque sinto que as mulheres mentem mais do que os homens?
Apesar de me parecer estranho, não me importava, até aos dias que perguntei vezes demais.
O abandono não é exequível pelo homem, mas sempre e isso é facto provado, pelo abandono da mulher em pequenos nadas, de coisas que vai deixando repetir todos os dias, prometendo um novo rumo, também esse, todos os dias.
As mulheres que eu gosto, são felizes noutros lugares. Nunca comigo. Nunca entendi a razão. Mesmo que elas digam que são infelizes e quando estão comigo, digam que eu sou o eterno, mentem. Sabem mentir.
Sofro, mas hoje já nem ligo, penso que fui sempre assim. Feito para sofre, porque noutra vida, já fui ou vou ser feliz.
De novo e tantas vezes, vem-me à cabeça que fui abandonado de novo e mais uma vez, apesar das diferenças, é porque mereço ser abandonado. Este pensamento, no qual volto agora a pensar, faz-me doer muito porque não o consigo resolver e talvez fosse muito fácil de resolver. Acho, deveria conseguir ser um espectador imparcial o que eu não posso ser. Sair de mim próprio e ver-me como se fosse outro. Eu sou parte do problema e o problema faz parte de mim.
Confesso que jaz as minhas culpas cada vez mais num lugar qualquer. Inicio algum prazer mesmo que abstracto deixar de me considerar culpado, de ser como sou.
Na verdade, só não quero ser mais abandonado ou julgar e sentir que sou abandonado, ou sequer conhecer o que era o amor, já que tudo isso me parece ser a mesma coisa, uma coisa profundamente dolorosa.
Os tempos mudam, eu não consigo mudar o que penso sobre mim. Mudar-me seria castrar-me e eu sei que isso era pior para mim e para a mulher que um dia vier a gostar de mim.
Para mim, voltar ao dia anterior, mata-me. Nunca fui mais feliz. Sei, que só uma me conseguiu semear o caminho da volta. Quando acaba, acaba mesmo. Se num futuro porventura se a voltar a ver ou ela a mim, sei, não a reconheceria, nem ela a mim, porque os dias e os anos vão ocultando o lado visível do que fomos, transformando-nos lentamente noutros, para nós próprios desconhecidos.
No que eu quero pensar é nas razões da minha vida, no grande desconcerto que é a minha vida, no que está por detrás dela. As namoradas que tive depois da minha 1ª. separação faz muitos anos, nunca duravam muito tempo, nem que não fosse porque o meu medo de ser novamente abandonado me fazia com que as abandonasse antes de esse traumático acontecimento poder vir a acontecer.
Todas eram melhores do que eu. Esta é uma das vantagens de nos pormos a pensar: Criamos relações e comparações onde antes não as havia.
Quem tem respostas para tudo, engana-se quase sempre. Ainda penso que quem me olha sem me tocar, engana-se, mas eu nunca me importei nem importo, só me importo com as gentes que um dia me atrevi a sentir que amei, podia ser outra coisa, mas sei que quando utilizo essa palavra é sempre do meu coração.
O terrível em ter tempo para pensar é aprofundarem-se coisas que era melhor não serem aprofundadas.
As mulheres sabem sempre o dia e a hora em que cometemos qualquer infracção. Esta fabulosa memória tinha, tem, os seus inconvenientes. É muito difícil uma pessoa defender-se de acusações tão exactas.
Tenho e terei medo das mulheres, até que um dia eu consiga entender, porque têm tanta falta de coragem para viver se, chorar e sofrer é a coisa que elas mais abraçam.
(.. 10Jun’07)

1 comentário:
"Soneto do Maior Amor
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.
Louco amor meu que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
(Vinícius de Moraes)"
Grande poeta... e que alma sensivel ao amor... seja ele de amante de amigo de conhecido... porque um amigo ama por vezes mais que grandes e arrebatadores amores...
Porque esperamos por coisas impossiveis?
Amamos e deixamos o tempo passar... a idade avançar... e ficamos SENTADOS á espera que algo despolete algo ou alguma situação...
Que tolos somos todos nós.
E a vida continua a sua caminhada para um fim... que não sabemos se será em breve... ou dentro de pouco tempo.
Élia Laranja
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