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sábado, 9 de junho de 2007

O meu filho abraçou-me!

Passaram 16 meses. Como a todos, parece que foi ontem que o vi com as coisas às costas mais a sua esposa e, irem estrada fora. Encontraram abrigo em terras distantes. E melhor ainda a liberdade. Veio da Dinamarca. 4ª Feira (13) já regressa. O tempo passou num ápice. Abracei-o. Abraçou-me. Não tenho palavras, nem quero escrever as coisas que senti. Ainda está em crescimento, como eu. Vai ser pai pela primeira vez. Agosto será. Deus já o abençou.
Eu também me lembrei desse tempo, quando fui o único a pensar que amava a mulher que me deu um filho. O primeiro. Assim nesse tempo pensava eu que, era amor para toda a vida. Só eu fazia a minha familia. Só eu me enganava, pela primeira vez.

Este, desde os 2 anos até aos 7 anos, fez-me viver uma vida fantástica, mas também difícil. Vivemos sozinhos. Ainda eu crescia. E ele também cresceu.

Quis o destino que hoje, por obrigação das coisas da vida, tivesse que vir a Portugal. Ofereci-lhe sem pestanejar o meu carro, para levar. Ele e a sua esposa necessitam. Não quis! Fiquei “piurso”.
A idade tem destas coisas. Ainda julga que para se ser feliz, as marcas e os anos jovens, são o melhor que a vida nos oferece.
Um dia também fui assim. Hoje, ninguém acredita que nunca olho para o corpo de uma mulher. Simplesmente simples, olho para o seu sorriso e sinto o seu melhor abraço. Assim serei e continuarei a ser feliz.
Um dia o meu filho será também assim. Quando correr para sair desta superfície e ir para a terra prometida que eu tanto acredito. Naquele lugar, também existe um lugar vago para mim. O lugar onde ninguém é diferente e sim, todos iguais.

Assim veio, assim foi. O tempo passou. Voltarei a vê-lo na segunda-feira (11), para o abraço da despedida. Será o último? Sei que, para renovar o vislumbre do que fiz e no que se tornou, naquele pedaço de homem bom, vai ser cada vez mais difícil os olhares, os toques.
Quiçá, se será a última vez que Deus quer que eu o veja? Amo-te filho, mais que algum dia tu possas imaginar. O meu jeito de viver e de ser, fez com que tu, fosses um homem mais feliz do que eu consegui. Ama a tua esposa! Não deixes que ela seja menos importante que a tua futura filha “Catarina”. Nem dos outros que tu sonhas.
Assim partirei eu, de ti filho. Também dos que gosto. E dos que amei num tempo. Sei! Já não tenho direito a que o tempo me toque.

(.. 09Jun’07)

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