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sexta-feira, 20 de julho de 2007

Um pouco de mim.

Sou, obviamente, uma pessoa de excessos. Não de excessos maus, estes, penso em verdade, tenho em conta e medida - sou homem. Os outros excessos, os bons, tenho bastantes porque, me deixo ir com facilidade na onda dos meus sentires. O meu coração é muito traiçoeiro. Aprendi a fazer muito mal as contas da vida, ou se quiser, ensinaram-me mal o que iria encontrar no início da minha vida como adulto.

Existem limites, atrevo-me a passar a fasquia sempre que sinto que estou bem. Por vezes esqueço-me dos outros. Perco-me, não sabendo, qual o limite deles. Entrego-me todo. Não tenho limites na entrega. Preciso do mesmo. Quando sinto os limites dos outros, tenho sempre medo! Sou quase sempre enganado! Os meus limites ultrapassam tudo o que seria de bom senso - por isso sou de excessos. Sei. Gosto do risco. Não aceito que alguém não consiga, mesmo com esforço, arriscar algo para adicionar a dois. Quando encontro o limite do outro, geralmente é metade do meu e, então fujo a sete pés.

Sou de tudo ou nada! Não gosto de NIM! Faço muito mal, uma avaliação dos outros. Pelos vistos é o que sinto. Dizem-me que é por eu ser um risco a viver, um excesso de sentires. Nasci no risco, na aventura da vida, no pecado do amor. Consigo, arriscar no dia-a-dia, mesmo que hoje nada tenha.
A dois, tudo é mais fácil. Sozinho, é uma aventura desmesurada.

A vida vai ensinando-me a deixar os limites de lado. Geralmente fujo, ainda não sei resolver algumas coisas de outra forma. Se não aceito, os outros também não aceitam. Não sou de inventar palavras para as desculpas. Um dizer adeus é, mais simples. Já disse tantas vezes aqui! SIM ou NÃO, é sempre mais simples. Não gosto que me enganem, eu não engano. Juro!

Por norma, não me arrependo de nada. A única coisa que consigo pensar depois de algum mal ter acontecido, é que podia ter feito as coisas melhores. Mas nem sempre é possível. A vida ensinou-me; para trás, nunca.
Tenho medo das recaídas. Fico desesperadamente sem norte, sem sentido, vou a baixo com facilidade. Por isso, parto sem palavras, para mim é mais simples, para os outros, não quero pensar. Digo, o momento de vida passou e, se passou, não se inventam mais palavras para se repetir a mesmas lenga-lengas. Mente-se muito e com muita vulgaridade que, até dói.
Deixou de existir objectivos ou como gosto de dizer, “afinal descobri que os objectivos, não eram os mesmos”, “tudo não passava de uma mentira encapotada de beleza ou de carne, quiçá”.
Tenho consciência que magoei alguém, não desnecessariamente, mas ser mais consciente para o outro, não traria nada de melhor. Sou um pouco egoísta. Sei.
Quando me magoam, depende sempre de quem é quem, sofro, aliás, tem tudo a ver com os tais excessos. Sou de excessos, na verdade, mais.
Os sentimentos são muito primários, como o ciúme, a desilusão, a solidão, a inveja, as frustrações. São instintos complicados, fazem parte da vida. Tentar viver no equilíbrio, seria bom, mas nem sempre é possível quando nos sentimos enganados, magoados.

Vivo a verdade acima de tudo, custe o que custar. A vida inspira-me de todas as formas e feitios, nas suas agruras e ironias. Não me dou bem com a mentira, pior com as omissões.
Quando se descobre que os objectivos partilhados, sonhados, chorados, sentidos, tocados, não são mais dos dois, então, que faço aqui?
Oferecer sonhos que, não podem ser vividos, é mentir descaradamente a seja quem for.

(.. 20Julh'07)

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