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domingo, 1 de julho de 2007

Reatar o quê?

O dia de amanhã será sempre o que fizemos e fazemos a nós. Hoje, entretanto, somos o que somos. Não devemos parar. Aproveitar o agora da melhor maneira, e realizar o bem que devemos e possamos fazer sem tentar as "grandes" coisas que não estão ao nosso alcance é, uma boa diferença para afugentar erros do passado. Eu faço e tu podes, o que necessitas como eu é... de confiar mais em ti. Força!

Chamo a este despertar (texto), como gosto, pseudo reatar! Quando estamos sós, quantos de nós já pensámos que a melhor coisa da vida seria reatar com o amor anterior? Aquele que por uma qualquer razão, nos deixou um dia sem conversa ou razões equilibradas de consenso comum?

Existe sempre alguém que diz que, a separação era a melhor solução para um e porque não para os dois? Por mim falo, sei, alguém sabe, só sei desaparecer para perder, sem atrofiar quem me mente. Detesto a mentira.

Fraquejar no momento de maior carência afectiva, acaba por ser uma situação comum na fase “final” de qualquer namoro e num momento qualquer pode acontecer. Há vários factores que podem contribuir para a recaída, mas explicá-la é difícil.
Há quem aguente alguns dias sem a companhia do parceiro. Há quem aguente meses e até anos. Com mais ou menos esforço, os objectivos de levar a bom porto o fim de uma relação caem por terra quando, a saudade ou a carência afectiva não derem tréguas. A fragilidade emocional, agravada neste período, pode ser traiçoeira.

A confusão de sentimentos, cria situações de extremos entre parceiros que um dia foram íntimos. Do amor ao ódio (e vice-versa) é apenas um pequeno passo. São as situações de maior calor emocional que podem voltar a despertar nos amantes, uma vontade imensa de retornar o contacto físico. As discussões, também podem gerar reaproximações. Já aqui escrevi a pinha opinião sobre este assunto, “se é para findar, não vale o esforço de se ser amigo de um ex”. É a minha opinião consistente em factos.

Uma noite de copos mais agitada, a boa disposição, a proximidade em relação ao ex-companheiro podem acabar numa noite de lençóis divididos e arrependimentos ao amanhecer. Como desinibidor, o álcool pode relembrar carinhos antigos, estimular pequenos toques, sussurros e olhares.

O fim de uma relação não dita o fim da “amizade”. Se tudo ficar resolvido, dificilmente os corpos se voltam a tocar. Mas, quando ficaram dúvidas por dissipar, pequenos hábitos como; desabafos, ir ao cinema ou outros lugares com o ex-amante, tomar um café ou trocar sms criam novas esperanças. Não me tento.

As emoções, sejam verdadeiras ou não, são todas elas frágeis. Por isso devemos acautelar o futuro no reatar de qualquer relação anterior. Não deixa de ser desconfortável, é como reler o livro da nossa vida. Se foi o fim, certamente foi por uma razão forte e importante para quem o fez. Se o mesmo quer voltar, o engano foi do outro e nunca nosso. Assumir as responsabilidades dos actos é de bom senso e de bom carácter.


Assim, deveríamos pensar bem, maduramente, se o reatar não vai trazer só conversa de treta, em vez de adição de uma melhor relação. Quantas vezes num reatar, alguém só quer afinal saber o “porquê” da saída. E nos dias subsequentes, as perguntas são constantes, pior é a tentativa de alguém dizer, que aceitou o regresso porque ama muito e só esse facto, o fez aceitar de volta. Parecem arremessos constantes de amarguras como quem diz; “se voltares a fazer isso, irei! Existem mais indivíduos na terra.”

Depois das dúvidas dissipadas, o amor que já não existe, deixa de ser a razão de uma nova maneira de viver para um novo futuro. Existe mais remendos e bom senso do que coisas boas e o sexo não pode ser tudo.
Nunca acreditei em amizades de um amor abandonado, depois de saber que gostei, foi bom num dia qualquer e por razões dispersas, acabou. Nunca lamento a partida. Lamento sim, o ter de partir por sentir-me enganado ou porque me quiseram enganar com promessas falsas de uma nova vida. Assim não existe ninguém que aguente a verdade, por um dia ter sonhado a sua, “nossa verdade”.

Para que ceder, se vamos voltar a cair na dor que já tinha passado, ou pelo menos o pior já se foi? A final o que erámos nós?
Tenho alturas que sinto que nem palhaço sou, mas servi para passar o tempo.

(.. 01Julh’07)

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