| Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas |

domingo, 15 de julho de 2007

Contra-mão num Domingo.

Domingo é um dia silencioso. Já o sabia. Na serenidade dessas manhãs, porém, posso escutar melhor as cálidas e melancólicas histórias que, o ócio e a solidão inventam. Não é uma manhã qualquer. É uma manhã de todos os Domingos. Uma qualquer.
Chamei por ela! Não fez gesto de mexer a cabeça para lado algum.
Fiquei triste. Achei que o meu silêncio só ela o perceberia, num sentir, mesmo que melancólico era perfumado. O perfume, não lhe chegou, pensei eu. Talvez estivesse a pensar num novo amor. Pensava! Pelo olhar que lhe sorria a face.
Quiçá! Ela lá! Eu cá! Não morri! Ela também não iria sucumbir ao perfume que só nas manhãs de um Domingo, alegravam e se misturavam no cheiro da maresia que brotava do mar, mesmo ali.
Distante estou. Eu e o meu cheiro. Não me sai o dela, das minhas entranhas. Roubei-o para sempre.
Outra mais mulher que não ela, vejo. Conheci-a! Daqui, sempre que a vejo, parece-me a minha mãe. Era só mais outra mulher. Muitos lhe chamam a mulher-dos-pombos. Hoje, Domingo, no amanhecer e depois da dificuldade de ela se levantar logo pela manhã, faz sempre o mesmo caminho. Vai ver o mar. Eu diria, vai sonhar, observando o sonho que lhe foge, que lhe fugio um dia, entre as mãos, como eu, como a todos nós, penso eu.

Desce a avenida. Eu, no mesmo caminho, vou para casa dormir.
A noite acorda-me os olhos, enquanto a mulher-dos-pombos, dorme. Quando ela num caminhar já meio trôpego, desce a avenida, eu também caminho como ela. Assim nos cruzamos, com destinos diferentes, mas tão iguais no caminhar.
Cruzamo-nos, às vezes, eu e ela, a mulher que preenche os Domingos de Sol diante do mar. Ela desce a avenida, eu subo-a.
As nossas vidas distintas tocam-se apenas nesse instante em que ela vem e eu estou indo. Solitários ambos, caminhando os dois no princípio da manhã, procurando preencher o vazio dos Domingos em que nada acontece no profundo e matinal silêncio. A vida dela descendo a avenida, a minha subindo. As nossas solidões em contra-mão.

Já muito tarde, voltamos a cruzar-nos. Agora ela sobe a avenida e eu desço. Ela vai descansar. Sonho repousando os olhos duros e sentidos no mar. Deu o milho aos pombos. Sorri! Penso que só nesse dia, Domingo, e nesse momento quando distribui migalhas aos pombos, a natureza lhe arranca um sorriso. Adivinho-o! Sinto-o ao cruzar-me com ela, já no final da tarde, muito tarde para ela, cedo por ora, para mim. Eu desço, porque a minha solidão sentida acorda-me o olhar. Ela continua a subir, para se recolher. Eu desço para desencantar os meus pecados.

Existe contraponto em algumas vidas. Eu que desço, a mulher-dos-pombos sobe, já tarde, depois de nos cruzarmos, para destinos diferentes. Somos solidários em sentires. Somos solitáros nos olhares. A solidão dói. Dó muito, mas continuamos a viver e a sorrir de vez em vez.

A outra, a rapariga que olhei e que não me olha, a loira, a mais bonita, já não conhece mais o meu odor. Libertou-se! Fez bem, merece um melhor amor, eu ainda não consigo esquece-la.

(.. 15Julh'07)

1 comentário:

Anónimo disse...

A loira não se libertou, nem libertará.
Ela morre dia a dia, deixando de sorrir , desistiu de dar, e recusa receber...
Ela amou, ela ama e amará, mesmo contra-mão...
Ela sente o toque dele, o cheiro dele, vê aquele sorriso que sempre a encantou, mas... ele deseja outro destino, outro caminho, mesmo sabendo da infelicidade da loira...
(mp)