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sábado, 19 de julho de 2008

Esta minha querida vida II.

Os livros trazem sabedoria – dizem. A mim traz-me nostalgias. Hoje quase me arrependo de ter lido tantos livros. Pelo menos aqueles livros que com a força das letras, mostram o que eu já sabia antes de os ler – que estupido sou! Repetem as coisas de formas diferentes. Até o vocabulário é muito português – alguns. É que eu não gosto nada dos livros que dizem que eu devo fazer, isto ou aquilo. Sinto-me sempre despido. Por vezes quase nu. E eu sei que as letras não foram escritas pelas pessoas que me viram nu. Bastas vezes, sinto-me mal com os livros que me lembro hoje. Assim não! Não preciso que me dispam. Muito menos que me adivinhem.
Sinto-me triste quando me lembro. Não tenho qualquer compaixão nem alegrias pelas lembranças das palavras que li. Era o que faltava, lembrarem-me do que eu devo fazer?!..
Estou naquela fase que tento desesperadamente, distrair-me. Não tenho saudades de gentes, só de coisas, e de sítios - repito. A sério que tento distrair-me quando me lembro de felicidades que tive outrora. Mas é só pura distracção. Nada de importante, pelo menos é o que penso das minhas distracções. Talvez seja a maneira errada de passar o tempo, talvez! Agora mesmo que queira recomeçar, o tempo de agora não é o mesmo do passado e este tempo, estou a gostar, apesar de me sentir triste, mas vai mudar, mesmo que devagar. Hoje já tenho muito tempo. Não porque querer, mas porque me impuseram de vez, e eu aceitei como se Deus me chamasse para entrar na Sua morada.
Esta coisa do tempo começa a maçar-me muito. É que não mostra qualquer compaixão. E houve alegrias que me encheram os dias, em que de noite adormecia parecendo um menino muito feliz. Já fui feliz. Mas nunca satisfeito.
Lembro-me das mulheres que gostei e não queriam de mim o que eu queria delas. Há sempre mal-entendidos que não convém alimentar. Por isso é que tive muitas resoluções na vida que, o melhor era estar sozinho. Por ser assim, fiquei vezes demais sozinho. Tentei melhorar, mas não consigo ser o que dizem os tais livros e eu não sou de viver o que não sinto. Um mal que aprendi presentemente, é que sou capaz de deformar-me lentamente até sentir que outros sejam mais felizes do que eu! Mas afinal nunca fui assim? Não espero encontrar melhor que o presente, a minha melancolia é-me suficientemente querida. De que gosto?
Antes da vida boa que me é oferecida todos os dias presentemente, via os filmes todos. Quase todas as boas séries. Incomodam-me os barulhos das pessoas sentadas ao meu lado e, gosto tanto de rever as cenas mais macabras, até de rever as letras que me passavam depressa por ter demorado mais tempo a olhar para a mulher do papel principal por ser muito bonita. Por estas coisas, gostei sempre de estar mais vezes sozinho do que, a viver com alguém que não me deixasse olhar os meus silêncios premeditados.
Não gosto de fazer comparações com coisas que já desisti faz “muitos tempos”. Isso é um mal de muitas gentes. Mas gosto de comparar o que acho justo. Se dou, ofereço, abraço, porque não vivo disso? Este é o meu pequeno defeito, o de pensar que tudo o que ofereço, se encaixa perfeitamente no outro lado! Hoje sei que não é assim. As coisas que se encaixam melhor e sempre, são as que todos nós aceitamos de alma livre - essa é que é essa e, não se pode viver de sonhos que não sejam possíveis, só porque gostamos ou queríamos muito.
De alma livre, pelo menos é mais justo. Para Deus. Para todos. É que se fosse assim, ninguém procurava nada – nem mais, nem melhor. E eu estaria sempre disponível mesmo que às vezes nem pareça que estou presente. Não me julgo, nem sou um exemplo para ninguém. Quero ser assim, porque é sempre assim que me sinto bem, mesmo que perca algo. Serei um deformador se me sentir melhor comigo.
Amar e viver bem, tem destas coisas. Regras. Regras iguais para todos. Na verdade nunca me dei muito bem com regras, vivi de certa forma com o coração agarrado aos sonhos e expectativas que desenvolvi mal ou bem, por isso, vivi mais vezes sozinho do que acompanhado. Acompanhado é mil e uma vez melhor do que estar só, mas às vezes não é possível juntar os sonhos e a realidade.
É muito difícil entender quem gostamos muito, mas isto, todos sabemos. Queríamos é que o outro fosse feito à nossa imagem e isso não é possível. Mas continuamos a querer muito, dói-nos tudo, é uma maçada, por isso, não nos libertamos para aceitar a diferença, mesmo que o desejo se sobreponha às coisas reais.
Sei a minha história toda de cor, detrás para a frente e o inverso também. Sei de onde vim. Até sei quem me abandonou. Quem me quis muito. E outras coisas também. Por isso prefiro amar de coração aberto o presente, pelo menos até me darem com os pés! Não é assim que vivem as gentes?
Presentemente, desejo muito a mulher muito querida que me atura em cada instante. Sem ela, acredito, não estaria por aqui. Outros lugares sabem, não existe melhor do que o meu presente que, será eterno.
Serei gente em deformação?
Somos feitos de ossos, pele, carne e de uma parte divina – é isso que eu sei. Tenho fé.

(.. 19Julh’08)

1 comentário:

Anónimo disse...

Um dia tomei-te por um homem, afinal és um bom bocado que pertence ao bom dos sonhos. Beijo e felicidades. rm