.. Que ninguém me arremesse piedosas intenções (1).
Cântico Negro de José Régio:
Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
..
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou..
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
(..02Mar'09)
(1) Há falta de melhor imaginação para definir o meu estado de momento. Diz o amigo Albert Einstein; "Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante do que o conhecimento".
segunda-feira, 2 de março de 2009
Ah!
Escrevinhada por:
SepolOm
às
11:25
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1 comentário:
...e o que é o conhecimento, onde está, como se adquire?
Em palavras ditas por quem não pisou a terra para a desbravar?
Em caminhos seguros ou nos atalhos invictos e bravios, aqueles que os nossos pés pisaram e sentiram o frio e a dor, aqueles em que as nossas mãos tocaram e se tornaram ásperas, os de que inalámos o odor da podridão e sentimos o desconforto dos desafectos?
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