Passamos a vida a fugir de alguma coisa e à procura de outra. O nosso comum destino é chegar e partir. Recordo coisas que perdi. Tinha dito, não. Ouvi o telefone. Ouço num tom de voz agressivo: - não penses que isto fica por aqui.
Sempre tive mais medo de mulheres do que de homens, talvez pela mesma razão por que gosto tanto delas: são animais imprevisíveis. Confesso que fiquei com medo; que me partisse um vidro do carro; que voltasse com uns amigos para me darem uma tareia; nunca sei do que são capazes. Telefonei ao meu único amigo, contei-lhe tudo. Ele riu-se e disse: - eh pá, sai fora dessa, foge para a Sibéria.
A vida passou. A vida passa devagar qd não tenho um amor que me deixe olhar para ela. Porque não me cruzo com alguém que morra por mim e não veja só sexo em mim ? Estranho este meu hábito de me mentir. Nos dias piores, apetece-me ir até há Sibéria, encontrar-me com a ansiedade.
Sempre tive mais medo de mulheres do que de homens, talvez pela mesma razão por que gosto tanto delas: são animais imprevisíveis. Confesso que fiquei com medo; que me partisse um vidro do carro; que voltasse com uns amigos para me darem uma tareia; nunca sei do que são capazes. Telefonei ao meu único amigo, contei-lhe tudo. Ele riu-se e disse: - eh pá, sai fora dessa, foge para a Sibéria.
A vida passou. A vida passa devagar qd não tenho um amor que me deixe olhar para ela. Porque não me cruzo com alguém que morra por mim e não veja só sexo em mim ? Estranho este meu hábito de me mentir. Nos dias piores, apetece-me ir até há Sibéria, encontrar-me com a ansiedade.
Perguntas são tantas que volto a recordar, sem razão aparente: Porque não decido fugir para um qq lado para a encontrar de novo? Sinto, encontrando ela, encontrava-me de mim.
Sonhei passadas mais algumas vidas que nasceram com um anjo que me vinha salvar. Apetece-me dizer-lhe, tão doce ela vinha; cabelo curto, pele doirada como o seu cabelo, a sua voz suave e triste. Digo, vem comigo, tu salvas-me e eu salvo-te a ti. Primeiro não responde. Lembro-me. Depois diz, sabes, não me pertenço.
Beijei-a. Não! Não tive coragem. Ficámos ali tão pouco tempo a conversar desde o inicio de tarde. Eu, comi-a toda ali! Comi os olhos, o cabelo, o cheiro, o sorriso, consegui comer a sua alma. Não fiquei satisfeito. Queria-a só para mim. Ouvi-a toda, dei-lhe os meus ouvidos todos e outros, tudo o que eu quis e ela aceitava de mim. Sorrisos. Tristezas. E mais sorrisos do que tristezas. A noite apareceu e ela esfumou-se, branca clara e linda a sua pele, feita de cheiro em mim. Foi-se. Eu fiquei.
Sonhei no mesmo momento até hoje que ela era minha, eu a salvava e ela abraçava-me como só ela sabe que eu gosto. E foi-se mesmo. Não a via, mesmo que olhasse ela tinha ido. Lembrei-me, "não me pertenço".
Sou um desastre humano. Ninguém mo disse. Sou eu que digo. Vivo de incertezas. A única certeza que me resta é que me lembro de todos os meus defeitos nascidos em mim. A única qualidade que me lembrei ali a sonhar foi, eu serei sempre dela até que a minha pele envelheça junto da dela.
Adormeci, não sei onde acordei, mas não estava ali a olhar mais para ela. Sonhei? Precisava de tirar férias de mim.
(.. 28Ago'06)
Sonhei passadas mais algumas vidas que nasceram com um anjo que me vinha salvar. Apetece-me dizer-lhe, tão doce ela vinha; cabelo curto, pele doirada como o seu cabelo, a sua voz suave e triste. Digo, vem comigo, tu salvas-me e eu salvo-te a ti. Primeiro não responde. Lembro-me. Depois diz, sabes, não me pertenço.
Beijei-a. Não! Não tive coragem. Ficámos ali tão pouco tempo a conversar desde o inicio de tarde. Eu, comi-a toda ali! Comi os olhos, o cabelo, o cheiro, o sorriso, consegui comer a sua alma. Não fiquei satisfeito. Queria-a só para mim. Ouvi-a toda, dei-lhe os meus ouvidos todos e outros, tudo o que eu quis e ela aceitava de mim. Sorrisos. Tristezas. E mais sorrisos do que tristezas. A noite apareceu e ela esfumou-se, branca clara e linda a sua pele, feita de cheiro em mim. Foi-se. Eu fiquei.
Sonhei no mesmo momento até hoje que ela era minha, eu a salvava e ela abraçava-me como só ela sabe que eu gosto. E foi-se mesmo. Não a via, mesmo que olhasse ela tinha ido. Lembrei-me, "não me pertenço".
Sou um desastre humano. Ninguém mo disse. Sou eu que digo. Vivo de incertezas. A única certeza que me resta é que me lembro de todos os meus defeitos nascidos em mim. A única qualidade que me lembrei ali a sonhar foi, eu serei sempre dela até que a minha pele envelheça junto da dela.
Adormeci, não sei onde acordei, mas não estava ali a olhar mais para ela. Sonhei? Precisava de tirar férias de mim.
(.. 28Ago'06)

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