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quinta-feira, 3 de maio de 2007

Pensei que tocar-te seria para sempre!

Decai. Nunca sei se sou eu que tombo ou se me fazem tropeçar. Aqui e agora só sei que, vezes de mais enfraqueço. Quero que se sintam bem, mas fazem-me inclinar. Sinto-o. Perco sempre, eu sei. É normal em mim. Assim, todos são mais felizes. Eu, já não perco tempo com as dores, não me interesso nada.
Pensei tocar-te, com palavras. Sei, fugiste. Com argumentos que só as coisas boas sabem expressar. Fico feliz porque, ficarás melhor.

Uma vez mais, sinto o sorriso no lado de lá, num lugar qualquer. Não toco. Nunca toquei. Nunca olhei. Simplesmente simples, só e apenas uma troca de palavras sentidas. Falar verdade não é para todos. Mas é mentira quando se fala verdade. Não é normal. Senti que sim, mas fui pequeno. Afinal o mundo tem que ser maior do que eu. Mentir é o que todos querem ouvir, para pudermos sentir-nos e chamarmos normalidade.

Depois de aturados exercícios de imaginação, percebemos que, às vezes, as opções mais simples, quando autênticas e sentidas, são as que mais nos dizem, mas não é assim que o mundo nos entende ou quer entender. Não tropeço nas razões dos outros e esse é um defeito meu. Sim ou não, é tudo o que eu valho.

A culpa é só minha que me canso de corpos estranhos a meu lado, principalmente corpos que sentem, mas que não me olham. Sentidos. Fugidios.
Perco-me muitas vezes em pequenos nadas. Perceber os outros é uma tarefa árdua. Todos querem coisas grandes, quiçá, coisas simples, na verdade complicamos tudo.

Pensei: “Sonhava demasiado, mas temia desviar-se por pouco que fosse do seu destino, desde sempre traçado. Acredita que tudo deve ser perfeito e na cumplicidade a verdade acima de tudo. Acredita que pode voltar atrás. Mesmo que tenha partido para outro caminho o seu destino vivido meses, anos passados”.

Voltar a trás, não. Acredito no simples. Acredito na brincadeira. Acredito nos sorrisos. Ainda sou moço de calções que, tropeço em recreações de sorrisos e empatias. Sou sem graça, mas faço sorri mais do que me fazem sentir bem. Asseguro.

Admiro o silêncio. O que mais me aflige é não saber para onde foi todo o tempo que se viveu, que se resumiu a um instante. Agora estou em soluços. Invertemos os valores. Não cuidamos dos substratos. Perdemo-nos no banal. Quando já não há sentido, já nada há que se entenda e de nada vale a pena tentar compreender o incompreensível.
Na Grécia iria sofrer com a beleza dos templos. Os deuses cegavam-me, fazendo-me desviar os meus olhares sentidos.

Se pudesse teria sido outra coisa, outro homem. Ou nada sou?
Admiro o silêncio sempre pela força das circunstancias. Recordarei o mês que se foi num ápice.

(..03Mai’07)

2 comentários:

Anónimo disse...

As tuas palavras tocam-me desde o dia em que concentraste tuas energias, teu brilho em mim... um simples nome no monitor.
Tocas-me com a tua presença.
Tocas-me com o teu sorriso.
Tocas-me quando dizes o meu nome sussurrando.
Sinto-te agora muito longe... mas as tuas palavras ficaram e continuam tocando-me carinhosamente.

Beijo

Élia Laranja disse...

“O SILÊNCIO
Há milénios que os homens fazem barulho para encobrir o silêncio que há em si.
Há milénios que batucam, cantam, dançam para evocarem forças superiores a si próprios, para terem apoio. Para fugirem de si.
Do seu próprio silêncio.
O silêncio interior é tão profundo quanto o silêncio do deserto.
Mais profundo, mais denso, mais sepulcral.
Dizem que o silêncio interior é o mais difícil de suportar. O homem tenta, às vezes, mas na maior parte, desiste.
Não aguenta, e vai. Foge.
Segue em frente para novas aventuras, sempre para fora de si próprio.
O silêncio serve para se ouvir. O barulho serve para nos calarmos.
Só quem ouve é que sabe,
Só quem sabe é que intui,
Só quem intui é que sente,
Só quem sente é quem vive.”
Desconheço o autor...

Mas gostaria de dizer... tantas coisas...
Beijos