Dia dos 30 anos.
Dez anos, é muito tempo. Vale a pena esperar, também, não esquecer o que nunca está presente. É uma mania minha, deve ser só isso. Catarina, não tenhas medo! O tempo, o meu, já foi melhor do que presentemente. Estou seriamente a pensar na pele. Na minha aparência. A que tinha naquele tempo que nunca estava só, mesmo que as raparigas só passassem por mim. Naquele tempo fazia tudo por estar num jardim a ver as raparigas a olharem para todos os rapazes mais giros que eu. A certa altura, quase sempre, misturava-me entre eles. Quase sentia que era sempre para mim que elas mais olhavam. Às vezes até sentia desejos pelo calor dos olhos que elas me lançavam. Nunca senti que estivesse a mais no meio dos rapazes que elas olhavam. Soube sempre que não era o meu lugar, mas o que mais gostava era, dos olhares das raparigas. Aqueciam-me o ego. E no final das tardes, ia para casa outra vez, com o tal ego levantado até que as mãos me doessem tanto que ejaculava sem dor na alma que sempre pensei ter. Eu era assim. Só queria muito as raparigas perto de mim, enquanto olhavam para os outros rapazes. Que olhassem! Gostava dos odores da mocidade delas. Fui sempre um sonhador de aromas e de abraços. Pelo menos naquele tempo pensava assim. Às vezes, lembro-me, elas não acreditavam em mim. Muitas vezes para acreditarem, tinha de lhes mostrar o meu ego, para que não sofressem tanto como eu sofria por elas, sem que me mostrassem nada. A maldade turva o olhar, não o dos outros, mas o meu. Nunca tive em conta as consequências. Foi assim que cresci. Deliciando-me amargamente e muitas vezes, só com o aroma que me chegava, e deixava que entrasse todo em mim, pelo corpo todo. De noite, já quando os sonhos estão cansados, mexia no que era meu e então, depois de passar pelo êxtase da minha idade de moço, adormecia com os olhos abertos. Ainda via no escuro os olhares das raparigas que pisavam o jardim.
O que os teus olhos vêem, vem da luz que tens em ti. Acredita! Olha para os teus, antes de olhares outros mais bonitos do que os meus. Não tenhas medo! Foge só das sombras do teu olhar. Não vale a pena dormir com um homem que dorme bem todas as noites - agora. Isso não está certo! Não existe prazer. Não é disso que se trata, os olhares, aos rapazes muito bonitos? Julgamos acertar nas coisas que nos ensinam quando somos novos. Depois crescemos e inventamos coisas novas. Mas o certo é que ao crescermos mais, tudo o que se passou, não pensamos que merecesse a pena, ou melhor, tudo é muito vago e não deixa de ser só ego.
Quando o corpo cansa e a alma entristece, não faças caso. É que todos precisamos de descansar por algum tempo, e o tempo dos outros, nunca é o nosso, e isso é que é verdade. Por ventura já reparaste na indiferença da natureza aos teus temores? Nos dias que estamos tristes e que pensamos que ninguém nos vê, a natureza que enxerga, também não nos diz nada. Mas tem gente que pensa que sim. Eu já não acredito nessas coisas, nem na conversa do mar, do Sol.. etc e tal.. nem outras coisas que outrora de calções pensava. Pelo menos antes tudo era mais giro. Pensava que tudo era verdadeiro. E do verdadeiro gostava muito. Afinal eram só olhares. Nunca saberemos o que une, a verdade de calções e a verdade da experiência. Hoje tento descobrir o que não sou. Já sei o que passei. De momento, deixam-me ser o que eu sempre quis ser. É bom que deixem. Assim fico eternamente. Isto é crescer. Tu cresces e, crescer é bom. Basta que nos deixem à vontade.Por último Sophia, que mais posso acertar? Quem sou ou não sou se o amor me encontrou e deixa-me tomar os caminhos que melhor compensam a felicidade comum? O mais das vezes enganamo-nos. Mais ainda quando julgamos acertar! Infelizmente passamos muito tempo a recomeçar e, é só nisso que somos bons até à eternidade. Seja só isso! Já ninguém quer lutar pelo amor que encontra. E isso não é bom.
Bom é sabermos que um dia as coisas que tínhamos como verdade, e que durante muito tempo o lixo tomou, voltam a ser as coisas que mais gostávamos, mesmo que seja um ténue sonho, quase esquecido. É bom encontrar alguém na nossa curta vida que, nos deixe ser o que sempre fomos e quisemos ser muito. É o meu caso. Um dia, o teu. Sei.
Se for preciso Catarina, torna-te pesada como uma pedra que, embora pisada, não se levanta contra ninguém.
Dez anos, é muito tempo. Vale a pena esperar, também, não esquecer o que nunca está presente. É uma mania minha, deve ser só isso. Catarina, não tenhas medo! O tempo, o meu, já foi melhor do que presentemente. Estou seriamente a pensar na pele. Na minha aparência. A que tinha naquele tempo que nunca estava só, mesmo que as raparigas só passassem por mim. Naquele tempo fazia tudo por estar num jardim a ver as raparigas a olharem para todos os rapazes mais giros que eu. A certa altura, quase sempre, misturava-me entre eles. Quase sentia que era sempre para mim que elas mais olhavam. Às vezes até sentia desejos pelo calor dos olhos que elas me lançavam. Nunca senti que estivesse a mais no meio dos rapazes que elas olhavam. Soube sempre que não era o meu lugar, mas o que mais gostava era, dos olhares das raparigas. Aqueciam-me o ego. E no final das tardes, ia para casa outra vez, com o tal ego levantado até que as mãos me doessem tanto que ejaculava sem dor na alma que sempre pensei ter. Eu era assim. Só queria muito as raparigas perto de mim, enquanto olhavam para os outros rapazes. Que olhassem! Gostava dos odores da mocidade delas. Fui sempre um sonhador de aromas e de abraços. Pelo menos naquele tempo pensava assim. Às vezes, lembro-me, elas não acreditavam em mim. Muitas vezes para acreditarem, tinha de lhes mostrar o meu ego, para que não sofressem tanto como eu sofria por elas, sem que me mostrassem nada. A maldade turva o olhar, não o dos outros, mas o meu. Nunca tive em conta as consequências. Foi assim que cresci. Deliciando-me amargamente e muitas vezes, só com o aroma que me chegava, e deixava que entrasse todo em mim, pelo corpo todo. De noite, já quando os sonhos estão cansados, mexia no que era meu e então, depois de passar pelo êxtase da minha idade de moço, adormecia com os olhos abertos. Ainda via no escuro os olhares das raparigas que pisavam o jardim.
O que os teus olhos vêem, vem da luz que tens em ti. Acredita! Olha para os teus, antes de olhares outros mais bonitos do que os meus. Não tenhas medo! Foge só das sombras do teu olhar. Não vale a pena dormir com um homem que dorme bem todas as noites - agora. Isso não está certo! Não existe prazer. Não é disso que se trata, os olhares, aos rapazes muito bonitos? Julgamos acertar nas coisas que nos ensinam quando somos novos. Depois crescemos e inventamos coisas novas. Mas o certo é que ao crescermos mais, tudo o que se passou, não pensamos que merecesse a pena, ou melhor, tudo é muito vago e não deixa de ser só ego.
Quando o corpo cansa e a alma entristece, não faças caso. É que todos precisamos de descansar por algum tempo, e o tempo dos outros, nunca é o nosso, e isso é que é verdade. Por ventura já reparaste na indiferença da natureza aos teus temores? Nos dias que estamos tristes e que pensamos que ninguém nos vê, a natureza que enxerga, também não nos diz nada. Mas tem gente que pensa que sim. Eu já não acredito nessas coisas, nem na conversa do mar, do Sol.. etc e tal.. nem outras coisas que outrora de calções pensava. Pelo menos antes tudo era mais giro. Pensava que tudo era verdadeiro. E do verdadeiro gostava muito. Afinal eram só olhares. Nunca saberemos o que une, a verdade de calções e a verdade da experiência. Hoje tento descobrir o que não sou. Já sei o que passei. De momento, deixam-me ser o que eu sempre quis ser. É bom que deixem. Assim fico eternamente. Isto é crescer. Tu cresces e, crescer é bom. Basta que nos deixem à vontade.Por último Sophia, que mais posso acertar? Quem sou ou não sou se o amor me encontrou e deixa-me tomar os caminhos que melhor compensam a felicidade comum? O mais das vezes enganamo-nos. Mais ainda quando julgamos acertar! Infelizmente passamos muito tempo a recomeçar e, é só nisso que somos bons até à eternidade. Seja só isso! Já ninguém quer lutar pelo amor que encontra. E isso não é bom.
Bom é sabermos que um dia as coisas que tínhamos como verdade, e que durante muito tempo o lixo tomou, voltam a ser as coisas que mais gostávamos, mesmo que seja um ténue sonho, quase esquecido. É bom encontrar alguém na nossa curta vida que, nos deixe ser o que sempre fomos e quisemos ser muito. É o meu caso. Um dia, o teu. Sei.
Se for preciso Catarina, torna-te pesada como uma pedra que, embora pisada, não se levanta contra ninguém.
Doce és tu! Serás sempre tu, até ao dia que perfizeres o que eu concluo. Sou diferente, e isso não é bom para ninguém, muito menos para mim.
(..19Julh’08) (2).
Nota. Perco-me sempre quando escrevo sobre as coisas que não percebo nada. Irremediavelmente serei sempre assim. Desculpa! Minha querida amiga Sophia! É esta a vida que levo.
(..19Julh’08) (2).
Nota. Perco-me sempre quando escrevo sobre as coisas que não percebo nada. Irremediavelmente serei sempre assim. Desculpa! Minha querida amiga Sophia! É esta a vida que levo.

4 comentários:
ola, era so para dizer que adorei o teu texto, e muito obro«igado por me incluires no teu blolg. um grande abraco da tua amiga virtual e parabens para o teu novo acordar
gostava que fosse meu amigo como eu sou teu....receber algumas palavras tuas como a catarina recebeu..faz bem a todos. parabens catarina. sei que não voltas mas não te esqueço.....beijos
"sou teu?"
.. ou tua? :)
Quase me assustei! Quase vi um homem nas entrelinhas! Credo!.. È que às vezes nem me entendo, quanto mais aos comentários anónimos que me chegam!
É um esforço tamanho, evitar comentar, pelo menos os que se julgam anónimos. rsrs
Os meus melhores cumprimentos..
amo a tua esc rita já qe amar te é completamente impossivel. foges de quem gosta de ti. esta carta da catarina mostra que és absolutamente um homem magnifico. a minha perda é substanciada na leitura. gostei de ler mais uma vez.bjos
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