O mesmo do mesmo (emprego).
Não tenho qualquer dúvida hoje que, fui assediado moralmente no meu local de trabalho. Ainda hoje quando acordo, vejo os olhos de ex-companheiros de trabalho que me olhavam parecendo que tinha qualquer doença. Sentia em cada um deles, o medo que o mobbing lhes tocasse. Nunca mais andariam perto de mim, publicamente, pelo menos se a pessoa que me criava o assédio estivesse por perto.
Nunca vivi o terror que muitos contam. Fui sempre de um carácter irrepreensível e bastante forte. Não esqueço que no último ano ainda em actividade, criei uma defesa importante: O SILÊNCIO.
Muitos ofereceram-me como conselho supremo (deles): “baixa as calças”, “engole sapos”, entre outras. Lembro-me também de aceitar trabalhos tão baixos que não tinha nada a ver com as minhas qualificações técnicas, etc e tal..
Tinha chefia directa. Os trabalhos começaram a ser-me entregues por pessoas menos qualificadas. Deixei de ter qualquer comunicação, tão pouco "feeback" sobre os trabalhos realizados. Para piorar a chefia foi reajustada na minha área, sem ter qualquer qualificação para o cargo e para melhorar mais, achava que sabia da poda. O desgaste foi inverso, sei, o meu foi a extinção do lugar.
Em Novembro de 2007, o médico do trabalho António Sousa Uva relatou, na conferência “Assédio Moral no Local de Trabalho: Emergência de uma Nova Realidade”, na Universidade Técnica de Lisboa, que “os trabalhadores sujeitos a assédio moral têm cerca de quatro vezes mais queixas de alterações de sono, de irritabilidade e de ansiedade, em relação aos não expostos a essa violência.” Para este médico, “a dimensão do problema é cerca de cinco vezes superior à discriminação em relação à religião, origem étnica ou opção sexual, ainda que a sua visibilidade pública seja bem menor” – aludindo ao II Estudo Europeu Sobre as Condições de Trabalho (2007).
O assédio no trabalho é encarado, segundo muitos entendidos, como um sintoma de disfuncionalidade organizacional. Há características que associam esta prática ao local de trabalho: “ conflito de papeis, quem faz o quê, escasso controle sobre o trabalho desempenhado, cargas de trabalho excessivas, elevados níveis de stress e competitividade, reestruturações, estilos de liderança autocrática, comportamentos políticos, conflitos não resolvidos, insatisfação com o clima psicossocial de trabalho e ausência de processos que facilitem a comunicação entre os indivíduos e a resolução positiva dos problemas correntes de trabalho”.
Apesar de não ser crime, o “mobbing encontra-se concretizado nos artigos 18º, 23º e 24º do Código de Trabalho, e nos artigos 31º a 34º da Lei nº 35/2004, de 29 de Julho”.
Fui claramente alvo de assédio moral no trabalho. Outros foram. No entanto, depois de cinco meses a olhar para as paredes, completamente parado, em que o corpo estava no chão, o espirito aliviado pelos melhores sentires, a psicossomatica não mostrava sinais de estrebuchar, consegui uma vitória importante na minha vida: não engoli sapos e nunca baixei as calças a nenhum superior. Saí é verdade, mas saí com o meu carácter e personalidade que sempre nasceu em mim. Só o tempo mostrará quem perdeu. De momento fui eu, mas já sou um bom perdedor faz muito tempo.
Hoje quando acordei, lembrei-me destas merdas e apeteceu-me escrever sobre as mesmas merdas.
Experimenta escrever a palavra "mobbing" no google. Fiquei muito surpreendido, mas grato. Infelizmente tarde, mas para ti e teus, acorda.
Voltarei ao assunto porque faz parte de mim.
(..20Out’08) (2)
O QUE É O MOBBING?
Normalmente, o 'mobbing' é motivado por sentimentos de inveja ou por uma qualquer forma de frustração básica e insegurança por parte de quem o pratica.
Em inglês, “to mob” significa “agredir”. Na prática, podemos traduzir isso com duas palavras: vergonhosa intimidação. Uma verdadeira praga social, comparável – pela gravidade e vastidão – ao fenômeno da usura. É um verdadeiro fenômeno de delinqüência massiva, com três componentes: a vítima (o “mobizado”), o carnífice(s) (Mobbers) e os cúmplices (os colegas, a representação sindical...)
O 'mobbing' pode ser definido como um qualquer comportamento abusivo, traduzido em palavras, actos - ou sob qualquer outra forma de comunicação individual - que poderão afectar negativamente a dignidade física / mental ou a integridade de uma pessoa, a realização de actividades no contexto de uma função ou um determinado ambiente de trabalho.
Na esfera profissional, o assédio moral está normalmente limitado à destruição psicológica da vítima, de forma progressiva, embora possa ser associado a abusos de natureza humilhativa, física ou corporal, para além de eventuais abusos de carácter estrutural, como sejam a rejeição, as ameaças ou os roubos.
Perfil da vítima: inteligente um pouco mais do que a média, altruísta, ingênuo, insatisfeito, honesto, com uma certa consideração dos valores, apegado ao trabalho e à empresa. Não tolera injustiças com ninguém.
Perfil do mobber: malvado, muitas vezes com referência à meritocracia, de nível medíocre, não cria nada, useiro, mente, engana com facilidade os do seu grupo, certamente com problemas na própria família...
Muitos dos comportamentos dos mobbers caracterizam fielmente aqueles mafiosos: motivações de fundo (na maioria das vezes, o dinheiro), mania de grandeza, vontade criminal, cumplicidade em eliminar alguém, o agir escondido... obedece árduamente...

1 comentário:
É isso mesmo, Jorge...
"O que fazer diante do mobbing? Duas coisas: resistir (resistir, resistir, resistir) e recolher provas. Por quê? Porque as firmas começarão a parar de usar o mobbing quando os juízes julgarem as firmas e lhes derem alguma sentença pesada."
Gostei de ao ler-te, sentir a tua força, e a não degradação da tua personalidade.Embora, deva dizer, que não me admira a tua atitude perante esta situação sem adjectivação...
Abraço.
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