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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sinais. Coisas de nada.

Apesar de não saber o que o futuro me reserva, estou muito bem na vida que levo e escolhi. Na verdade, são mais os dias que estou com o meu melhor sorriso, do que os dias que não consigo conter a alma com alguma dor e lágrimas por diversas razões. Algumas tristezas são da alçada familiar e essas cabem em responsabilidade, aos próprios. Outras, porque nem sempre me é possível ajudar quem mais gosto. E isso sim, queria eu ter mais na mão para "perder" - diria ganhar, e o meu bem-estar seria completamente sorridente.

Vamos aos pensares do dia. É assim, quando duas pessoas iniciam uma nova vida em partilha, continuo em crer, existem muitas coisas que, qualquer lugar comum além de interessante é partilhado pelos dois, com estados de alma completamente desinteressados e possitivos. Quer dizer, qualquer espaço é oferecido de coração aberto a um e a outro. Também sabemos de antemão que, nada é igual no seu percurso ao início. Porquê?
Tomo como exemplo a história de um casal em início, onde li num lugar qualquer. Nesta história como na maioria, ela chama-se Maria e ele João.

..“Maria amava muito e um dia resolveu ir viver com o seu amado vivendo em partilha a casa deste. No início como em qualquer relação, a partilha é absoluta. Nos meses subsequentes, Maria que desde o início, depois de vestir o pijama, deixava sempre a sua roupa dobrada e direita no mesmo lugar na casa de banho. Um dia reparou que esse “seu” lugar estava ocupado pela roupa do João. Não disse nada. Maria tomou a suas roupas e colocou-as noutro lugar. Outros mais dias passaram e a Maria lá ia arranjando um “lugarzito” aqui e ali para arrumar as suas poucas peças de roupa no final de cada dia. Certa dia, Maria nota que o "seu" lugar estava outra vez vago. Voltou a arrumar a sua roupa como sempre fizera no dito espaço. No mesmo dia repara que o João colocou a roupa dele por cima da sua. Não disse nada desta vez. Calou-se. Pensou. Pensou cada vez mais só para ela - já tinha conversado sobre o assunto com o João em modo de brincadeira em tempos atrás. Prometera que não falava mais no assunto, mas dizia para ela - é coisa de pouca importância, amanhã é outro dia. Também pensava: A casa é dele. Devo estar aqui emprestada.
Os dias passam e o pequeno acontecimento repetia-se. Estava a ser inquietante para a sua alma. Quase todos os dias procurava um novo local para arrumar as suas poucas roupas. Para ela, era bom pensar; “quase todos os dias o “seu” espaço estava livre”. Aquele “quase” ainda a fazia respirar. Mas pensava: Que se passa? Ele não nota? Estarei a perder algo?
A partilha na vida do espaço não era real, no entanto, ela e o João pareciam que viviam em comunhão de adquiridos.”..

O que parece desinteressante - coisas sem significado para uns, é importante para outros. A isto, chamo pequenos sinais – pequenos nadas, que prevêem de certa forma, a vida que temos pela frente com alguém e ou, como sentimos que alguém nos trata. Como é que coisas tão pequenas que muitos chamam; tacanhez, mesquinhices etc e tal, fazem decidir a vida ou emoções de alguém? Na verdade esquecemos que viver em partilha é viver com outra pessoa e não com um espelho.
Duas pessoas mesmo que se gostem muito, são diferentes nos seus modos de vida e de estar. Assim, muitas vezes desvalorizamos as coisas do outro em proveito próprio. A pequena história revela o que muitos não querem saber. Cá para mim, os mais pequenos sinais estão todos os dias à nossa volta, e existem muitos "pequenos nadas": reconhecemos ou não; aceitamos ou não; entregamo-nos completamente ou não; damos
ou não.

O poeta diz: Enquanto não compreenderes o significado do compromisso, não saberás amar.

(.. 06Out’08) (2)

1 comentário:

Anónimo disse...

Hoje preocupo-me com alguns sinais que antes não queria aceitar. Infelizmente aprendi com custos elevados, adivinhaste tudo, satisfeito? Gosto de te ler, continua e felicidades. Beijo