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segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Sonho ou razão.

Deparei-me com um problema que não julgaria que existisse no meu mundo. Problema simples, que para as gentes normais não atrapalha mas, para mim e a minha maneira de estar na vida, fez uma “moça” das grandes.
Olho e debato-me com a continuação ou não de viver quem sou, ou viver como vivem as gentes da sociedade que coabito?
Faz sentido viver como os outros vivem? Faz. Porque me parece menos exigente, menos sentido, mais frio, mais calculista, mas ignóbil, mais falso, mais tudo que nunca me permiti viver dessa maneira.
Fugi sempre a essa questão, sonho ou razão.
Chego à triste conclusão que não vou lutar mais com sonhos que não encontram na razão, coisas iguais para uma vida em comum. Os que sonham não conseguem suportá-los eternamente, como eu até há pouco tempo.
A razão tem sido a minha negação de viver.
Quem sou eu para dizer o que é melhor seja a quem for?
E quem é quem que me pode dizer, que isto ou aquilo é melhor do que o eu sentia?
Choro porque a razão move a maioria das gentes que conheço. Outras existem que vivem do equilíbrio, coisa que eu ainda não consigo. Sei que é no equilíbrio das coisas que se consegue melhor viver, mas eu não fui capaz e prometo que vou tentar.
Serei mais feliz? Primeiro necessito de me encontrar? Veremos.
Nunca lutei com moinhos de vento. Mas outras gentes, à quem diga que sim. Registo e anoto.
Penso que viver pelo sonho tudo é mais difícil, mas se olho o mundo em volta e ninguém me compreende (eu não consigo fazer-me compreender) tentarei então pela razão.
Sou sensível a friezas intempestivas. Não sou de dias. Acordo sempre a sonhar exactamente como adormeço no silêncio dos meus sonhos.
A vida não tem sido fácil. Sei que outros amigos dizem, sentem o mesmo mas, com uma diferença, eu acredito que podemos viver a sonhar outros dizem que a razão nos faz andar com os pés no chão.
Sempre preferi perder, para os outros.
Não tenho que lutar nada se viver na razão. Amar não é razão. Amar é acreditar que tudo pode acontecer se quisermos. A razão olha a meios que não são os meus.
Não fui educado assim. Vou tentar, mas sei que tenho que ser mascara de algo. Sei que vou ser cego. Sei que vou fingir. Sei que nada vou sentir.
Aí sim, faço o que todos fazem, casam por conveniências, porque moram perto, porque trabalham mesmo ali ao lado, em vez de dois carros passam a ter um, em vez de tudo em dois e de coisas difíceis que o sonho leva a acontecer, do viver e ser encontrado, a razão é o final sem grandes tarefas de sentimentos profundos e verdadeiros.
No final, todos vivem o que eu sempre neguei.
Sei que sou puto, mas gosto de ser o que sou. Se tenho que mudar para essa razão então vamos viver sem coração.
Nunca gostei de facilidade com que se dão beijos a uns e a outros…
Dou abraços. Quem sentir, sabe que me tem.

Com a razão, escrevo:
Já tive muitas coisas, muitas e menos uma tal de felicidade!
Posso aqui inventar amores, vidas, alegrias, sonhos, desejos, tristezas, romances, revoltas...
Quando penso em amar, sinto algo forte, por vezes me dá arrepios, enche os meus olhos de alegria e vontades, mas sempre estou só!
Eu penso em ti, sonho e te desejo.
Mas penso mais na minha vida!
É nela que devo apaixonar-me.

Com o sonho, escrevia:
… da cor faço algo que ninguém percebe no escuro.Pinto as linhas do que as gentes querem ver, e não o que me sai da alma. Se é assim que me querem ver tentem colocar alguma luz. Se tudo estiver arrumado, encontraram um final feliz.

Vamos então falsear os resultados, e ser mais um entre as gentes que sempre me alheei. Aprenderei a ser bandido dizendo sem arrependimento e sem dó, NÃO!

(.. 17Out'05)

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