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domingo, 23 de outubro de 2005

Expectativas e Decepções.

Ao diminuirmos as nossas expectativas, as decepções também diminuem.

É muito comum criarmos expectativas sempre que estamos perante um novo caso ou querendo obter algum resultado de algo que esperamos.
A espera do resultado gera ansiedade e expectativa. A maioria de nós espera que certas coisas aconteçam de uma certa maneira. O que dizer quando estamos dentro de um relacionamento instável e ficamos sempre esperando um telefonema… a presença constante… uma atitude… etc etc etc?
As expectativas são o que pensamos que deve acontecer como resultado do que fazemos, dizemos ou planeamos. E a decepção é inevitável quando as coisas não saem como planeámos. Esperamos pelo aumento que acreditamos merecer.
Esperamos ser amados para sempre. Desejamos nunca mais sermos abandonados. Esperamos que os amigos nos compreendam quando mais precisamos deles. Esperamos não sermos julgados nem criticados quando algo não dá certo.
Quando somos frustrados nas nossas expectativas, os nossos medos mais secretos podem surgir, como o medo de não mais ser amado, ser abandonado, rejeitado.
A sensação de não temos valor, que não valeu a pena a espera, que já sofremos tanto, perguntamos: Porque de novo? Porque comigo?

"A decepção é inevitável quando as coisas não saem como planeamos."

Esperamos sem nada fazer quando acreditamos no pensamento mágico em nossas fantasias e, desprezamos os dados de realidade. Nossas expectativas serão coerentes com a realidade? Talvez seja uma pergunta importante a explorar.
Muitas vezes a realidade está muito distante das nossas expectativas, mas ignoramos.
A expectativa consome a nossa paciência, harmonia e equilíbrio. Parece que, quanto mais esperamos, mais difícil se torna ver o resultado. E nesse compasso de espera, como nem sempre temos controle de tudo, nos decepcionamos.
Neste tempo de espera é muito comum o encontrar culpados. Costumamos culpar alguém por quase tudo. Essa é uma maneira subtil de não enfrentarmos os próprios desejos, que em geral ficam ocultos. As expectativas não realizadas geram raiva, auto-piedade, e nos colocamos no papel de vítima.
Pensamos o que o outro foi injusto. Pode até ser que tenha sido mesmo, mas será que não recebemos sinais de que isso poderia acontecer e os desprezamos?
Será que é a outra pessoa que nos decepciona ou nós que esperamos algo que nem sempre nos podem dar?
Outro conflito muito comum gerado pela expectativa é quando esperamos alguma atitude de alguém e não expressamos o que queremos, como se o outro tivesse a capacidade de ler nossos pensamentos.
Um exemplo muito comum é a do marido ao chegar a casa depois de um dia de trabalho. A esposa está a preparar o jantar, esperando que o marido ao chegar irá lhe dar um abraço e ele, ao ver sua seriedade pensa que ela deve estar tão envolvida com o que está a fazer que para não atrapalhar a cumprimenta rapidamente com algumas palavras.

Conclusão: Os dois queriam receber um abraço, mas como reagiram de acordo com os próprios pensamentos, imaginando o que o outro estaria a pensar, ambos acabam por se frustrar.

Nem sempre as gentes sabem exactamente como nos sentimos. Por isso, o mais indicado é identificar as nossas expectativas (coisa difícil). Ao dizermos: "tu me ignoraras quase toda noite ao ficares a assistir há televisão", é muito diferente de dizer: "eu me sinto ignorada quando você fica a assistir há TV".
Quando as expectativas não são expressas tendemos a fazer um julgamento impulsivo diante do comportamento do outro e que nem sempre corresponde ao que o outro desejava demonstrar.
Verbalizar as nossas expectativas é importante em qualquer relação.
Pactos de silêncio acontecem muitas vezes sem que perceba-mos, e geram muitos conflitos. As expectativas em geral deixam-nos com uma venda nos olhos, não conseguimos enxergar a situação na sua totalidade e podem impedir nosso crescimento e a capacidade de manter relações saudáveis. Quando foi a última vez que nos sentimos frustrados porque alguém que não agiu como esperava-mos? Culpamos o outro mesmo ele não sabendo o que nós esperava-mos dele?
Geralmente quando culpamos alguém é porque tínhamos expectativas de que aquela pessoa "deveria" ter agido de maneira diferente do que fez. As expectativas sempre nos deixam fora de controlo.
Quando compreendermos que não é responsabilidade de ninguém "adivinhar" o que nós queremos, os conflitos diminuem. Quando nossas expectativas são um factor primário na maneira que pensamos, ouvimos, falamos, a decepção se torna uma constante.
E quando as expectativas do nosso próprio comportamento são frustradas? É muito doloroso manter a expectativa enquanto percebe que o tempo passa e que o nosso desejo está longe de ser alcançado. Aguardamos, esperamos e o tempo passa, até desistirmos na maioria dos casos.

O que temos feito para alcançar efectivamente o que desejamos?
Muitas gentes simplesmente, ficam em compasso de espera, acomodadas ao velho e conhecido padrão antigo de comportamento, como se não dependesse delas, para que as coisas aconteçam como desejamos. É certo que há situações que somos impotentes ou quando esperamos uma melhor atitude de alguém, mas, ainda assim, se criarmos expectativas em relação ao comportamento do outro, estaremos no caminho mais seguro para decepcionar-mos e nos frustrarmos.
As expectativas podem nos mover, motivar, mas também destruir-nos internamente. Quanto mais expectativas criarmos, mais estaremos propensos a nos decepcionar.

Porque não pensamos, em que áreas aparecem mais?
O que temos feito para que se realizem?

Se quisermos aprofundar mais, é bom escrever sobre cada uma das nossas expectativas não realizadas e observar se eram coerentes com a realidade.
Talvez descubramos coisas novas sobre nós. Talvez aprendamos a aceitar o que realmente está acontecendo e como lidar com a situação. Nem sempre as coisas acontecem da maneira como desejamos, mas, nem por isso devemos parar de lutar e desistir.
Talvez seja um sinal de que o mais indicado é mudar o caminho e não o nosso destino em chegar onde desejamos.

(este texto foi inspirado no livro: "Os homens são de Marte e as mulheres são de Vénus")

(.. 23Out'05)

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