As minhas dores no plural, não tem cor.
A dificuldade, uma penosa e árdua dificuldade, consiste em transpor para palavras aquilo que vou pensando. As palavras são descontínuas, os pensamentos, esses, fluidos. Não se pode assim esperar uma transformação dos pensamentos em palavras, mas sim, uma tradução em que muito fica perdido.
Perdendo o pensamento, sei, o que se perde pode ser decisivo. Penso muito. Gosto de pensar nos meus melhores sonhos. Sou e serei sempre assim. Posso de momento ter um bom pensamento. Quero-o escrever, mas sei, escrever pensamentos podem ter várias interpretações, e pode escrever-se de várias maneiras. Assim, muitas palavras escritas não são, o verdadeiro pensamento. É, sei, só um sinal do que pensei.
A verdade muda muito conforme os lugares e os tempos dos quais para ele se olha. Tudo o que acontece no tempo não fica imóvel, como um objecto perdido numa gaveta ou numa arrecadação qualquer, onde se pode no tempo e quando se quiser, regressar sempre que se queira e da mesma maneira.
O que vai acontecendo hoje, vai mudando as coisas que tínhamos guardado. Se formos felizes hoje, nunca mais queremos saber das coisas que um dia guardámos.
Um dia quis sonhar a nostalgia. Quis porque me senti só. Só de sozinho. Só de tristeza. Assim, procurei as recordações, sei que não encontrei.
Quem não tem dores de alma? Como todos nós sabemos, dores nunca faltam. As do corpo e as da alma.
As da alma por exemplo, é um tema muito interessante, as do corpo menos, muito menos. A diferença é elementar: Vejo corpos mas não vejo o ver. O ver é condição do visível, e a minha alma ninguém se dispõe a querer vê-la.
As minhas dores, sim plural, não tem cor. Não quero ter razão, mas penso assim, quando quero fechar os olhos É no aconchego da cabeça no travesseiro que penso, penso muito. Penso sempre as coisas que não queria pensar. As melhores, só as realizo quando sonho, se sonhar. Os sonhos estão cada vez mais difíceis de se realizar, até nos sonhos.
Conforme o que vou pensando, vão-se sucedendo as respostas e soluções para o que mais parece um enigma. Passo muitas horas a pensar e o meu estado de espírito muda, tal como a minha disposição da minha alma. Penso e volto a pensar. Quero escrever o que penso, mas ao juntar as palavras, os caminhos levam-me sempre ao desconforto da verdadeira história que me fez voltar do útero da minha mãe.
Aí sim eu devia ser feliz. Penso que todos nós. Só nunca fui mais, quando nasci. Sei a razão. Porque nunca deveria de ter saído onde fui semeado.
O mundo é estranho.
Fácil e descrever como se faz um qualquer comer. Um petisco. Como semear uma planta. Como pintar uma parede. Descrever um céu num qualquer dia. Sim, todos nós sem querermos, conseguimos ser poetas. Não existem poetas melhores nem piores, existe sim, isso sim, um estado de momento. Aos homens, uma musa que nos queima o momento. Sonhamos que agora é que vai ser tudo fantástico!..
Perdi-me nas palavras tropeçando nos meus pensamentos. No fundo somos sempre nós e nunca somos outra pessoa que dizemos que queríamos ser.
É isto que eu chamo pensar. Não é encontrar soluções para um problema, mas antes destruir o problema. Quando um problema se encontra destruído podemos passar a outro.
Nunca entendi porque fui órfão de pai e mãe. Pergunto-me tantas vezes: Afinal como nasci?
(.. 14Abr’07)
A dificuldade, uma penosa e árdua dificuldade, consiste em transpor para palavras aquilo que vou pensando. As palavras são descontínuas, os pensamentos, esses, fluidos. Não se pode assim esperar uma transformação dos pensamentos em palavras, mas sim, uma tradução em que muito fica perdido.
Perdendo o pensamento, sei, o que se perde pode ser decisivo. Penso muito. Gosto de pensar nos meus melhores sonhos. Sou e serei sempre assim. Posso de momento ter um bom pensamento. Quero-o escrever, mas sei, escrever pensamentos podem ter várias interpretações, e pode escrever-se de várias maneiras. Assim, muitas palavras escritas não são, o verdadeiro pensamento. É, sei, só um sinal do que pensei.
A verdade muda muito conforme os lugares e os tempos dos quais para ele se olha. Tudo o que acontece no tempo não fica imóvel, como um objecto perdido numa gaveta ou numa arrecadação qualquer, onde se pode no tempo e quando se quiser, regressar sempre que se queira e da mesma maneira.
O que vai acontecendo hoje, vai mudando as coisas que tínhamos guardado. Se formos felizes hoje, nunca mais queremos saber das coisas que um dia guardámos.
Um dia quis sonhar a nostalgia. Quis porque me senti só. Só de sozinho. Só de tristeza. Assim, procurei as recordações, sei que não encontrei.
Quem não tem dores de alma? Como todos nós sabemos, dores nunca faltam. As do corpo e as da alma.
As da alma por exemplo, é um tema muito interessante, as do corpo menos, muito menos. A diferença é elementar: Vejo corpos mas não vejo o ver. O ver é condição do visível, e a minha alma ninguém se dispõe a querer vê-la.
As minhas dores, sim plural, não tem cor. Não quero ter razão, mas penso assim, quando quero fechar os olhos É no aconchego da cabeça no travesseiro que penso, penso muito. Penso sempre as coisas que não queria pensar. As melhores, só as realizo quando sonho, se sonhar. Os sonhos estão cada vez mais difíceis de se realizar, até nos sonhos.
Conforme o que vou pensando, vão-se sucedendo as respostas e soluções para o que mais parece um enigma. Passo muitas horas a pensar e o meu estado de espírito muda, tal como a minha disposição da minha alma. Penso e volto a pensar. Quero escrever o que penso, mas ao juntar as palavras, os caminhos levam-me sempre ao desconforto da verdadeira história que me fez voltar do útero da minha mãe.
Aí sim eu devia ser feliz. Penso que todos nós. Só nunca fui mais, quando nasci. Sei a razão. Porque nunca deveria de ter saído onde fui semeado.
O mundo é estranho.
Fácil e descrever como se faz um qualquer comer. Um petisco. Como semear uma planta. Como pintar uma parede. Descrever um céu num qualquer dia. Sim, todos nós sem querermos, conseguimos ser poetas. Não existem poetas melhores nem piores, existe sim, isso sim, um estado de momento. Aos homens, uma musa que nos queima o momento. Sonhamos que agora é que vai ser tudo fantástico!..
Perdi-me nas palavras tropeçando nos meus pensamentos. No fundo somos sempre nós e nunca somos outra pessoa que dizemos que queríamos ser.
É isto que eu chamo pensar. Não é encontrar soluções para um problema, mas antes destruir o problema. Quando um problema se encontra destruído podemos passar a outro.
Nunca entendi porque fui órfão de pai e mãe. Pergunto-me tantas vezes: Afinal como nasci?
(.. 14Abr’07)

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