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sexta-feira, 27 de abril de 2007

Cada um escolhe os seus sapos.

Muitas vezes engolimos sapos. Calamo-nos às palavras que não são nossas, pelos arremessos que nos chegam como balas, vindas de tantos lados. Assertividade que construí ao logo da minha vida, não me obriga a ser tolo. Nem tão pouco aceitar seja o que for, por mais que nos pareça, verdade, transparente o que alguém nos propõe a aceitar num dado momento. Assertividade é uma consciência positiva aberta em relação a todos os que nos envolvem, mas nem por isso, retira-nos o discernimento do real.
Os sensores do nosso carácter, mesmo que sejamos assertivos, estão sempre em alerta. Recebendo pedras de alguém, não é num dia que nos predispomos a aceitar qualquer palavra, agora mesmo que por mais gratificantes as que outrora nos tenha feito feridas.
Assertividade é também amadurecimento.
Sonhamos coisas que gostaríamos de ter ou com acontecimentos que gostaríamos de ver realizados. Sonhamos com tantas coisas. São diferentes em cada pessoa. São diferentes nas necessidades e nas expectativas em cada um de nós.
Não faz nenhum mal sonhar, desde que tenhamos consciência da possibilidade ou não de os tornarmos realidade.
Quero afirmar que na maioria das vezes deixamo-nos levar por eles e transformamo-los em idealizações. Os sonhos, só por si, são frágeis.
É neste processo que geralmente perdemos contacto com as coisas reais ou num confronto, dificuldades em aceitá-la. Construímos ideias de acordo com as nossas vontades. Começamos a acreditar nelas e acabamos por vive-las (muitas vezes de uma forma obsessiva) como se fossem realidade. Assim, vivermos as idealizações e em função delas, acabamos frequentemente por ressentir o facto de não as podermos concretizar, o que de uma maneira geral, provoca sentimentos de frustração, insatisfação e ingratidão.
Por outras palavras, ao valorizarmos excessivamente o que não temos ou não existe, corremos o risco de desvalorizar tudo o que faz parte da nossa realidade. Gerando um conflito interior entre a nossa idealização e a realidade. Esta luta resulta num enorme desgaste e numa instabilidade emocional. É importante conhecermos os nossos limites. Não devemos perder a noção da realidade.
Como é possível que, ontem agimos bem com alguém e, no dia seguinte, separámos esse bem-estar, essa confiança da mesma pessoa?
É bom sonhar, mas é melhor não perdermos a nossa vida.
A assertividade implica uma necessidade de sermos responsáveis por nós próprios, tanto pelas acções como pelas emoções. Podemos mudar os nossos padrões. Não sendo fácil, é possível e pode ser bastante libertador e gratificante.
Na maioria dos casos, a baixa auto-estima leva-nos à submissão e à autovitimização.
Ressentir e culpabilizar os outros ou fugir para evitar o confronto com essas situações não é solução. Em vez de nos queixarmos dos indivíduos que abusam de nós, não seria melhor questionarmos; porquê é que isso acontece? Como é que nós permitimos ou convidamos esses a abusarem de nós?
Assertividade, é também trabalhar a auto-estima, para se conseguir ser firme de uma forma não agressiva.
Os sapos que engulo, são treinos de bom carácter, não deixando ser levado nas armadilhas que outros aplicadamente perfilham em me distrair. O silêncio é um bom treino, mas deve ser exercido no momento próprio e não, usá-lo indiscriminadamente como se estivéssemos a voltar as costas ou mostrar qualquer fraqueza. O silêncio absurdo é moribundo. Mais ousado, seria dizer, é cobarde.
Assertividade é viver de coração aberto, sem manipulação, sem vergonha de mostrarmos a seja quem for, que gostamos de “A” ou “B” com medo de perdermos “C”. Ser assertivo, não é ser tolo, O Sol quando nasce, nasce igualmente para todos, não sendo eu obrigado a aceitar que o mesmo me queime, sabendo eu que os excessos, me fazem mal.

(.. 27Abr’07)

1 comentário:

Anónimo disse...

é so para dizer que passei no teu blog beijinhos