| Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas |

sábado, 14 de abril de 2007

Não sei. Não quero saber.

A certeza é uma coisa terrível, fixa e esgota o pensamento. O que vale é que uma certeza não se sustém por si só. Uma certeza trás inúmeras dúvidas. Nunca tenho a certeza de nada. Não gosto de dúvidas.

Um dia alguém me perguntou, pergunta afirmativa, coisa normal das gentes normais, mais do que eu porque nunca serei: Leio-te. Noto que amavas muito a tua mulher!

Não me lembro de ter alguma mulher. Se quiser lembrar-me de momentos bons, respondo que sim. Gostava de passar de filho perdido a marido. Gostava que um dia a minha namorada, quando ela me encontrar, passe de namorada a mulher. Mas, acho pensando na questão a fundo, continuo a ser quem sou, quando não sou ninguém. Por não conseguir ser o que queria ser, ninguém me vai encontrar.

Acho um mistério muito estranho no que respeita aos sentimentos de uma mulher por mim. Ninguém me encontra, se eu continuo a sentir-me perdido, assim, não se pode amar o que não se encontra. Se o contrário, acontecer, não posso andar perdido.
No mistério, perco-me, vezes de mais, sei, reconheço, mas sou assim, procuro-me no mistério, atrai-me, serei eu?

Sofro com pequenos nadas. Sofro com as coisas que ninguém sente. Choro vezes demais, escondido, para que ninguém saiba que choro porque me dói vezes de mais a alma. O abandono, digo sempre: Deu-me com os pés, é uma frase bonita, fica bem dize-la, e fica muito bem escreve-la. Quem a lê, acha. Quem ouvir, ouve. É tudo muito mais fácil para mim, nada de mais perguntas. O mundo é estranho com respostas estranhas, padecem, aceitam, somos todos mais felizes.

Quando penso na minha frase, insisto, minha frase, apesar das dores, sempre achei, mereci, se foi, é porque merecia ser abandonado. Elas, as mulheres, sempre souberam escolher bem as suas melhores presas.

Este pensamento, no qual volto agora a pensar, fazia-me doer muito porque não o conseguia resolver e talvez, quiçá, fosse muito fácil de resolver.

Entendo, teria que ser um espectador imparcial o que eu não podia ser. Sair de mim e ver-me como se fosse outro. Eu faço parte do problema e o problema faz parte de mim.

Uma mulher em mim, nunca é culpada. Deixo sempre a porta aberta, não perco tempo a mudar uma fechadura. Existe sempre o dia seguinte que é mais importante para mim.
Nunca me importo de dizer que sou o culpado. Sou assim. Serei assim. Também se calhar nada vai mudar e devolvo-me ao meu lugar, condição, só, talvez nesta vida eu esteja destinado a mostrar aos outros que só, não é ter vida.

Penso que um dia quis amar. Não sei se já amei. Não pode ser. O amor não é assim. Talvez não volte a amar ninguém, já que amar alguém me parece trazer sempre como consequência o abandono. Não quero ser mais abandonado ou julgar e sentir que sou sempre abandonado, ou sequer conhecer o que era o amor, já que tudo isso me parece ser a mesma coisa, uma coisa profundamente dolorosa.

Os dias e os anos vão ocultando o lado visível do que fomos, transformando-nos lentamente noutros. Para nós próprios. Para os outros. Somos cada vez mais desconhecidos.

Não sei! Não quero saber!

O meu coração dilacera de dor..
de pensar no sofrimento alheio.. e fácil
Gostava de poder ajudar..
abraçando o mundo inteiro
sim sou eu, sou eu que sou..
assim sou..
sem saber do mundo
só sei da dor..
isso sim,
também é meu
sou mesmo eu
.

(.. 14Abr’07)

Sem comentários: