Tenho o meu amor, como toda a gente, mas não o usei. Não o uso. Tenho também a minha história, mas não a contei. Não contei. Não inventei. Não quero contar. Fugi.
Quero mostrar que pertenço ao mundo onde o amor, como as histórias, existem só por si. Como se me dirigisse a alguém. Outra vez.
Escrevo, as palavras que vivi, sonhei, senti e fugi. Escrevo as minhas maneiras à minha maneira, para ser só eu a entender o que eu sinto, e nunca à tua maneira, que não sentes o que eu vivi.
Falta-lhe o instinto do partilhar. Não se pode ter tudo quando se é tão bonita. Sempre me causou dor este facto.
Mentias-me sempre.
Mentiste quando disseste que nem rebentos tinhas.
Mentistes quando disseste que a tua cor preferida era o azul.
As estrelas são vermelhas, e tu sabias muito bem.
Escrevo, as palavras que vivi, sonhei, senti e fugi. Escrevo as minhas maneiras à minha maneira, para ser só eu a entender o que eu sinto, e nunca à tua maneira, que não sentes o que eu vivi.
Falta-lhe o instinto do partilhar. Não se pode ter tudo quando se é tão bonita. Sempre me causou dor este facto.
Mentias-me sempre.
Mentiste quando disseste que nem rebentos tinhas.
Mentistes quando disseste que a tua cor preferida era o azul.
As estrelas são vermelhas, e tu sabias muito bem.
Omites o que gostava de sentir.
Gostam de ser o que eu nunca quero ser.
A - Não te bastava estragares-me a vida pelas vias normais, separando-me de tudo o que eu gostava – filhos, amigos de infância, das minhas coisas, do meu amor-próprio, das corridas que corria – aliciando-me a fazer todas as coisas que não me atraíam nada – fumar mais do que fumava, viciar-me em televisão, comprar mobília de seis em seis meses, comer muito. Tinhas que me dar cabo da cabeça, trocando-lhe as poucas voltas que lhe restavam, nesse dia distante em que te conheci.
Tinhas de me mentir, para eu nunca saber nada, julgando que sabia, fazendo de mim um parvo para além de toda a estupidez possível, como o mundo gosta de ser.
Desde que foste e comecei a saber coisas a cerca de ti que nunca me tinha passado pela cabeça, o meu medo de ti, aumentou substancialmente, como podes imaginar – não me admirava nada que não queiras voltar para me acabares de vez.
Por que é que “asneiramos” o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver um amor que não esteja parcialmente estragado. Tem de haver escombros. Tem de haver esperança. Tem de haver progresso para o pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita do mundo. No amor tem que haver luta.
B - Apaixonei-me num momento desprevenido. Estava a tomar o meu café com ela depois de um longo almoço que me pareceu curto. Ela sentou-se na minha frente. Fiquei ali especado a olhar para ela. Mesmo que tentasse e sei que tentei, desviar a direcção dos meus olhos para um outro lado qualquer eu olhava-a sempre e todas as vezes que olhava não respirava. Um minuto de exposição, foi quando bastou. Não se pode olhar muito tempo para raparigas bonitas sem este género de merdas acontecerem.
Sou um homem muito calmo, sobretudo diante da histeria. As raparigas não gostam nada desta minha faceta. Confundem-na com frieza e insensibilidade. Não gosto de nada que me doa.
Às vezes apetecia-me gritar, foda-se!... basta! De baixo da língua.
A B - No início estávamos sempre a foder ou a recuperar-nos para foder. Em nada afectava o que sentíamos um pelo outro. Tanto suspirávamos como arfávamos, tanto dizíamos carinhos como palavrões, era-nos igual. A coisa funcionava sozinha. Sentia se exigisse algum maior esforço da nossa parte, teríamos fracassado.
Eu era feliz antes, mas estava sempre deprimido. Para passar o tempo leio o que escrevi, senti, tudo.
Bem sei que eu era mais o teu menino do que outra coisa qualquer, como ter um irmão que se pode fazer tudo (urso), mas isso nunca é muito bom. Não gosto nada que me dêem ordens, nem ralhem comigo. Mas é isso o que se faz aos meninos das mulheres.
A B - Por estas e por outras estarás sempre eu contigo e tigo com eu.
“Sobre uma estrela caída no chão, uma estrela que nunca se viu, deitei o meu coração doente e desprevenido e por causa de ti, nunca ardeu.”
Para onde vai a minha vida não quero saber. Ainda tenho o cheiro de algumas melhores refeições, do tempo em que Portugal não era o que é, e eu era um petiz feliz. Os amigos só esses, pelas mesmas razões, nos abraçávam sem nos lembrarmo-nos que não éramos gente. Também não sabíamos que havia mais gentes. É esse o curso que quero seguir, se for obrigado a escolher um. Ser como um cheiro que permanece, ligado a um momento que se esqueceu. Gosto de lembrar-me do cheiro dos meus tempos.
Sofrer é uma merda mas, não o é o amor? Como lixar o sofrimento? Fazendo sofrer os outros? Sei que já o fiz, mas não resulta.
B - Eu bem digo para não me amarem “Não me ames! Deixa-me ser eu a amar-te!”, mas as mulheres do que gostam é de amar. Sobretudo quando não há mais ninguém que se preste a isso.
Um dia terei na minha vida um atalho à minha beira, um caminho por onde possa seguir – duvido. Caminho.
B - Sou um eremita. Fiquei profissional entre outras coisas, da saudade. Não posso estar contigo. Não consigo viver sem ti. Sou impróprio para consumo, porque me tornei um lembrador profissional também. Também sou um recordador de omissões, que me fazem doer.
Serei o teu lembrador, quem te lembra, quem te aproxima de quem eras. Não falarei com ninguém, mas ai de quem vier falar comigo. É bem feito, para não se meterem com quem não foi feito para viver.
A - Não te bastava estragares-me a vida pelas vias normais, separando-me de tudo o que eu gostava – filhos, amigos de infância, das minhas coisas, do meu amor-próprio, das corridas que corria – aliciando-me a fazer todas as coisas que não me atraíam nada – fumar mais do que fumava, viciar-me em televisão, comprar mobília de seis em seis meses, comer muito. Tinhas que me dar cabo da cabeça, trocando-lhe as poucas voltas que lhe restavam, nesse dia distante em que te conheci.
Tinhas de me mentir, para eu nunca saber nada, julgando que sabia, fazendo de mim um parvo para além de toda a estupidez possível, como o mundo gosta de ser.
Desde que foste e comecei a saber coisas a cerca de ti que nunca me tinha passado pela cabeça, o meu medo de ti, aumentou substancialmente, como podes imaginar – não me admirava nada que não queiras voltar para me acabares de vez.
Por que é que “asneiramos” o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver um amor que não esteja parcialmente estragado. Tem de haver escombros. Tem de haver esperança. Tem de haver progresso para o pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita do mundo. No amor tem que haver luta.
B - Apaixonei-me num momento desprevenido. Estava a tomar o meu café com ela depois de um longo almoço que me pareceu curto. Ela sentou-se na minha frente. Fiquei ali especado a olhar para ela. Mesmo que tentasse e sei que tentei, desviar a direcção dos meus olhos para um outro lado qualquer eu olhava-a sempre e todas as vezes que olhava não respirava. Um minuto de exposição, foi quando bastou. Não se pode olhar muito tempo para raparigas bonitas sem este género de merdas acontecerem.
Sou um homem muito calmo, sobretudo diante da histeria. As raparigas não gostam nada desta minha faceta. Confundem-na com frieza e insensibilidade. Não gosto de nada que me doa.
Às vezes apetecia-me gritar, foda-se!... basta! De baixo da língua.
A B - No início estávamos sempre a foder ou a recuperar-nos para foder. Em nada afectava o que sentíamos um pelo outro. Tanto suspirávamos como arfávamos, tanto dizíamos carinhos como palavrões, era-nos igual. A coisa funcionava sozinha. Sentia se exigisse algum maior esforço da nossa parte, teríamos fracassado.
Eu era feliz antes, mas estava sempre deprimido. Para passar o tempo leio o que escrevi, senti, tudo.
Bem sei que eu era mais o teu menino do que outra coisa qualquer, como ter um irmão que se pode fazer tudo (urso), mas isso nunca é muito bom. Não gosto nada que me dêem ordens, nem ralhem comigo. Mas é isso o que se faz aos meninos das mulheres.
A B - Por estas e por outras estarás sempre eu contigo e tigo com eu.
“Sobre uma estrela caída no chão, uma estrela que nunca se viu, deitei o meu coração doente e desprevenido e por causa de ti, nunca ardeu.”
Para onde vai a minha vida não quero saber. Ainda tenho o cheiro de algumas melhores refeições, do tempo em que Portugal não era o que é, e eu era um petiz feliz. Os amigos só esses, pelas mesmas razões, nos abraçávam sem nos lembrarmo-nos que não éramos gente. Também não sabíamos que havia mais gentes. É esse o curso que quero seguir, se for obrigado a escolher um. Ser como um cheiro que permanece, ligado a um momento que se esqueceu. Gosto de lembrar-me do cheiro dos meus tempos.
Sofrer é uma merda mas, não o é o amor? Como lixar o sofrimento? Fazendo sofrer os outros? Sei que já o fiz, mas não resulta.
B - Eu bem digo para não me amarem “Não me ames! Deixa-me ser eu a amar-te!”, mas as mulheres do que gostam é de amar. Sobretudo quando não há mais ninguém que se preste a isso.
Um dia terei na minha vida um atalho à minha beira, um caminho por onde possa seguir – duvido. Caminho.
B - Sou um eremita. Fiquei profissional entre outras coisas, da saudade. Não posso estar contigo. Não consigo viver sem ti. Sou impróprio para consumo, porque me tornei um lembrador profissional também. Também sou um recordador de omissões, que me fazem doer.
Serei o teu lembrador, quem te lembra, quem te aproxima de quem eras. Não falarei com ninguém, mas ai de quem vier falar comigo. É bem feito, para não se meterem com quem não foi feito para viver.
Se alguém me mostrar algum sentimento, como-o.
Um dia quis ser caseiro do teu coração, no sótão do meu. Deixei-te perder no tempo e desisti, por mim.
A - Não sei discutir. Não acreditava em conversar. A tua única queixa era doentia, dizias que eu nunca lá estava quando tu querias. Eu dizia: Faz tudo o que queiras menos fugires. Espera! Emendo! Faz tudo menos dares-me com os pés!
Eu nunca podia ir ter contigo enquanto tu não te/me encontrasses.
Pouca coisa me encontras-te para descobrires-me, à parte a minha queda para a cobardia e nunca te gritar.
Morres no tempo por mim, sei que será sempre assim. É difícil de distinguir a sacanice da ingenuidade. Eu nunca voltei para trás.
B - O máximo que consigo, em momentos de crise, é menosprezar-te - tenho uma nova amiga mais ao menos, mas tu és mais minha, do que ela.
Mas é no meu amor, nos teus olhos de água suja da vida, dum mar que não tem fim, que eu caio cada vez que te ofereço o meu olhar.
Um dia quis ser caseiro do teu coração, no sótão do meu. Deixei-te perder no tempo e desisti, por mim.
A - Não sei discutir. Não acreditava em conversar. A tua única queixa era doentia, dizias que eu nunca lá estava quando tu querias. Eu dizia: Faz tudo o que queiras menos fugires. Espera! Emendo! Faz tudo menos dares-me com os pés!
Eu nunca podia ir ter contigo enquanto tu não te/me encontrasses.
Pouca coisa me encontras-te para descobrires-me, à parte a minha queda para a cobardia e nunca te gritar.
Morres no tempo por mim, sei que será sempre assim. É difícil de distinguir a sacanice da ingenuidade. Eu nunca voltei para trás.
B - O máximo que consigo, em momentos de crise, é menosprezar-te - tenho uma nova amiga mais ao menos, mas tu és mais minha, do que ela.
Mas é no meu amor, nos teus olhos de água suja da vida, dum mar que não tem fim, que eu caio cada vez que te ofereço o meu olhar.
Deve ser esta a minha timidez e esta minha cobardia, que só quando estou longe me vem o coração às mãos e tenho vontades de to oferecer, sem medo que o possas aceitar, tal era o mal que te fazia, se te amasse mais.
Já não sei o que dizer. A amargura apanhou-me as mãos em água e em vida. As mãos vão contra os olhos. Mentem sempre. Omitem mais.
B - Nunca vi um céu tão bonito nem tanto sossego, enquanto acabo o meu café no meio da cidade quase vazia, a não correr para apanhar os autocarros, sem saber que mais dizer-te, porque a minha alma está sempre a interromper-me, a chamar por ti.
Quanto mais longe, mais perto me sinto de ti, como se os teus passos estivessem aqui ao pé de mim e eu pudesse seguir-te e falar-te e dizer-te quanto te amo e como te procuro, no meio de uma destas ruas que vejo, zangado de saudade, no céu claro, num dia qualquer e com frio.
Diz qualquer coisa a este palerma que julga que andas por aqui perto e chama sem parar por ti.
Seria inadmissível pôr-me a cismar se consegui ou não fazer o que eu queria. Como seria dizer que não sei. Sei. Sei que não consegui nada. Só espero não tê-lo conseguido bem.
“Se tocastes o horizonte, provavelmente chegas-te ao fim, encontrando-o.”
(.. 25Mar'06)
Já não sei o que dizer. A amargura apanhou-me as mãos em água e em vida. As mãos vão contra os olhos. Mentem sempre. Omitem mais.
B - Nunca vi um céu tão bonito nem tanto sossego, enquanto acabo o meu café no meio da cidade quase vazia, a não correr para apanhar os autocarros, sem saber que mais dizer-te, porque a minha alma está sempre a interromper-me, a chamar por ti.
Quanto mais longe, mais perto me sinto de ti, como se os teus passos estivessem aqui ao pé de mim e eu pudesse seguir-te e falar-te e dizer-te quanto te amo e como te procuro, no meio de uma destas ruas que vejo, zangado de saudade, no céu claro, num dia qualquer e com frio.
Diz qualquer coisa a este palerma que julga que andas por aqui perto e chama sem parar por ti.
Seria inadmissível pôr-me a cismar se consegui ou não fazer o que eu queria. Como seria dizer que não sei. Sei. Sei que não consegui nada. Só espero não tê-lo conseguido bem.
“Se tocastes o horizonte, provavelmente chegas-te ao fim, encontrando-o.”
(.. 25Mar'06)

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