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quarta-feira, 10 de maio de 2006

"Amorzinho!"

Ainda bem que muitos têm a coragem de iniciar tudo de novo e repetidamente, quando acabam qualquer relacionamento, como se alguém lhes tivesse incutido esse dilema na sua alma e isso fosse a verdade da vida. Claro que é mais fácil iniciar tudo de novo, do que lutar por algo que se têm. Quiçá se não é melhor? Se foi bom num qualquer início, porque não o fazer acontecer de novo com outro início? Algumas gentes são assim, assim pensam e assim fazem no seu dia a dia, o seu modo de vida. Ainda ao iniciar de novo, podemos emendar todos os erros passados (seremos melhores? O carácter, nunca muda!) e porque não aventurar outras ilusões e/ou expectativas? Como fica a nossa consciência?

Faz-me lembrar a doutrina católica: “Ama os outros.”
Na verdade, devíamos amar-nos em primeiro lugar. Se o conseguirmos, usufruiremos de tanto amor que, passamos a partilhá-lo de coração aberto com os outros em verdade. Já aqui escrevi o que penso, de relações verdadeiras nas gentes que nos são familiares. A minha opinião é aqui conhecida. Proponho-me de novo a repetir-me, por ter encontrado alguém que eu desconhecia, partilha nos seus livros o mesmo pensamento que eu sempre senti.

“Ama-te a ti mesmo e observa – hoje, amanhã, sempre.” “Gautama, o Buda”

Amar-me primeiro sobre todas as coisas?! Infernal! Lindo! Não tenho palavras para tão generosa leitura que fiz dum livro que retive em conselho virtual.
Pensava que andava perdido neste tempo. Pensava que era desprovido de qualquer sentimento semelhante às gentes normais. Na realidade, o egoísmo é pleno de soluções felizes. Quem diria que eu acabado de nascer, já sentia este sentimento enraizado em mim? Assim nasci, assim me fiz homem.
O desejo não tem mistérios. O amor tem consciência. Mas, eu sempre disse isso! Ai?!... Por defeito de ensinamentos, a sociedade incute-nos erros de vocábulos. Os sentimentos, esses, sentimos. Chamamos amor ao desejo. Este amor, não é mais do que um impulso biológico: depende da nossa química e hormonas. Por esta razão, é MUTÀVEL. Mudamos o amor de tempo em tempo. A verdade absoluta, desaparece. Erramos, menos os fieis que lutam. Esqueceram-se o que já escrevi sobre o casamento? Pois! É para toda a vida. Tudo ou nada.

“O desejo surge do teu corpo, o amor da tua consciência.”

Este amor, o verdadeiro o que permite o contacto com a verdade só emerge na nossa consciência – não do nosso corpo. Como não nos amamos a nós, não conhecemos a nossa consciência, o equívoco continua – desejo físico é entendido por amor.
“Sócrates tem razão: quando se conhece o amor, conhece-se a verdade, porque ambos são dois nomes para uma mesma experiência. E se nunca conheceste a verdade, lembra-te de que nunca conheceste o amor.”
Pois! Quem diria? Ama-te, e só assim podes partilhar em pleno, a tua felicidade com mais alguém.
“O amor comum é exigente, o verdadeiro amor é partilha. Nada conhece da imposição; só a alegria da dádiva.”
Estou siderado com o que leio! Pensamentos que outrora pensava que só eu partilhava nos meus silêncios e que me atrofiavam os passos que ainda hoje sigo. Sempre quis entender (acreditar) que algo de errado me fez ser assim quando nasci - um homem, sensível e trocado com as gentes que eu dei amor.
Sempre disse que devíamos olhar com grande atenção a nossa companheira (não me venham com essas merdas, que as companheiras mudam-se, os filhos são para toda a vida! Irraaa). Essa sim, merece todo o nosso amor, logo depois de nós. Depois e só depois… os filhos entram na tomada da partilha do nosso amor. Por nos amarmos tanto, irradiamos a grandiosidade desse amor pelas pessoas que nos são próximas. Sem nos amarmos, nada fará sentido.
Neste momento leio o egoísmo! Interessante, sempre me senti egoísta! Pensei que era um grande mal (mais um) meu, mas… Por esta e por outras que dou tanto amor e não me ofende o que não recebo! Um dia pedi ao meu amor: “Deixa-me amar-te! Não me ames!”
No entanto… Quiçá, um dia escreverei sobre esse assunto, egoísmo, que nada tem a ver com outros que nos ensinam, enganando-nos como se nada sentíssemos, ou nunca tivéssemos olhos para ver, fazendo-nos crer que o branco é branco - eu que sempre gostei da minha cor azul do cabelo. Sabias que a palavra amor, provém do latim "lobha", que é o mesmo que cobiça? Sempre a aprender. Dizem uns! Opino, nem sempre entendo ou aceito, o que outros querem que eu aceite sem lutas, principalmente, sem sentires eu nunca aceitarei.
Deixo como partilha um extracto de “Amor, Liberdade e Solidão de Osho”.

… “O amor comum é um simples fingimento; há algo oculto por trás dele. O verdadeiro amor é um fenómeno totalmente diferente. O amor comum é exigente, o verdadeiro amor é partilha. Nada conhece de imposição; só a alegria da dádiva.
O amor comum vive de aparências. O verdadeiro amor é autêntico; simplesmente, é. O amor comum é quase doentio, adocicado, escorre, é o que chamamos “amorzinho”. É enjoativo, nauseante. O verdadeiro amor é alimento, fortalece a alma. O amor comum só alimenta o seu ego – não o seu verdadeiro eu, mas o seu eu ilusório. Lembra-te de que o irreal alimenta sempre o ilusório, mas o autentico alimenta o verdadeiro.
Dê, distribua o que tem, reparta e goze a partilha. Não o faça como se fosse um dever – senão toda a alegria desaparece. E não se sinta obsequioso em relação aos outros, nunca, nem por um momento. O amor nunca é constrangimento. Pelo contrário, quando alguém recebe o seu amor, tu sentes-te obsequiado. O amor é grato quando recebido.
O amor nunca espera ser recompensado ou mesmo agradecido. Se o agradecimento surge do outro lado, o amor surpreende-se sempre – é uma surpresa agradável, visto não ter expectativas.

Assim, o amor irreal traz consigo frustração e o verdadeiro amor satisfação.

Deverá ter em atenção todas as suas necessidades, mas não estar junto dele para satisfazer os seus desejos fictícios. Não satisfará nada que na realidade irá magoá-lo. Por exemplo, não irá alimentar o seu ego, ainda que o seu ego o exija – isto significa que está a envenenar o seu amado. Apreço significa que será capaz de perceber que esta não é uma necessidade real, mas do ego; e não irá satisfazê-la.
O amor conhece a compaixão, mas não a preocupação. Por vezes é difícil, porque por vezes é necessário ser-se duro. Por vezes é muito reservado. Se o distanciamento ajudar, afaste-se. Por vezes é muito frio; se for necessário ser frio, seja-o. Qualquer que seja a necessidade, o amor é atento – mas não preocupado. Não satisfará qualquer necessidade fantasiosa; não satisfará nenhuma ideia venenosa no outro.
Posso abdicar facilmente da palavra Deus – não há qualquer problema – mas não posso esquecer a palavra amor. Se tiver que escolher entre as duas palavras, escolho amor; esquecerei tudo sobre Deus, porque todos os que conhecem o amor estão destinados a conhecer Deus. Mas o inverso não acontece: os que teorizam acerca de Deus e filosofam acerca de Deus poderão nunca conhecer o amor – e, igualmente, não conhecerão Deus.”


Obrigado a quem me ofereceu um novo alento, para continuar a viver.

(..10Mai'06)

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