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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Cartas no tempo devido: (07)

(carta nº 2049)

Lucidez de lúcido.

Agora já não sou novo, sei mais “melhor bom” hoje, o que fazer com a minha vida. Ainda sei que, se desapareceres, vou sentir vergonha de não ter sabido roubar-te melhor, os teus meus momentos.
Ser adulto também é coisa para poucos. É uma merda! Às vezes queremos ser o que nem conseguimos ao nascer. Temos que fingir ser grandes e eu, sou tão criança, lembra-te.
É vicio este meu gostar da tua boca. Espanta-me a resistência com que inutilmente prossegues com uma heroicidade indistinguível, dos meus sorrisos. Devias beijar-me. Eu tinha deixado que entrasses toda dentro de mim. Não viste a minha boca tão aberta que até se via o sal por ti? És o meu vício de antes, igual ao tempo de hoje.
Os vícios têm-me ajudado muito a viver. A situação torna-se insuportável quando pensar não faz senão piorar as coisas. É portanto necessário que pense o menos possível. O vício de te ter nos meus sonhos, dói. Os vícios também ajudam porque, nos levam para lugares que julgamos só nossos. E eu quero tanto não o nosso, mas o todo teu.
Preciso de me safar! Ninguém se pode safar sem essa maravilhosa possibilidade de alterar a estúpida e brutal realidade de que mentir-te não é gostar-te. Isso era quando não sabia que a mentira podia matar.

Mentir, perdia o melhor da nossa vida.

Beijo

(..de mim, para Z.. 04/Fev/2008 18:36)