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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Cartas no tempo devido: (12)

(carta nº 2069) Ao vento..

Eu é que sei do que gosto! Quero lá saber dos outros. Das outras gentes que gostam, mas dizem que não!. Eu gosto! Gosto muito. Sei do que gosto. E tudo o que eu ponho dentro da minha boca, mesmo que seja no fundo, gosto.
Digo-te! Digo só a ti, para que mais ninguém oiça. Tens cara, espera. Vou tentar explicar. Vejo o mundo na tua cara, mas nunca estás lá. Estranho. Sei que não consigo dizer. Experimento de novo? Às vezes, olhando para a tua cara mesmo que estejas em qualquer lado, desde que te veja, não consigo imaginar, supor ou mesmo inventar, qualquer pedaço de mundo para a tua cara. Tu não estás. Mas sei que tu também não estás.
Queria saber onde estás, mas se não estás, como te dizer, se não te vejo, no espaço que estás? Aqui não estás. E isso é o que importa. Que estranho esta coisa de inventar a cara dos outros! Parece mal, mas eu sinto-me bem em descobrir qualquer que seja, fragmento, da tua cara. Por vezes consigo ver uma cara de rir. Uma cara de mundo. Às vezes parece-me que estás de costas. Cara ausente. És bonita quando te chegas, às vezes, poucas, para trás.
O que eu quero dizer é que, eu quero ver-te de frente. E hoje, sexta-feira, nem desfaço a barba, nem tomo o banho prometido, a mim, eu sei, mas a roupa no chão, não me apetece apanhar. Vou mais a preceito, de mim. Vou no vento das minhas palavras.
Consome-me! Não aguento o desejo de te ter muito.

.. de mim, beijo

(..de mim, para Z.. 08/Fev/2008 18:06)