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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Cartas no tempo devido: (09)

(carta nº 2050)

Fui almoçar. Chocos sem tinta. Queria tanto sentir a língua molhada. Não me atrevi a pedir que viessem pintados. Já tinha acordado no outro dia com água na boca. Faz anos.
Hoje acontece de novo o encanto do querer tudo na boca, no corpo, dentro de mim. Que mania estes meus vícios. Molhar-me. Abrir a boca. Dar o corpo de boca aberta para que ele se molhe no abraço que se sonha cada vez mais consciente.
Que vício, este sonhar! Também se gasta o gostar. A sonhar livremente, tive a coragem de te dizer que gostaria de te ver. Foste tu que aceitaste. Eu nunca o faria! Tal a minha falta de capacidade para essas coisas. Coragem não é para mim. Dou-me muito mal com as coisas bonitas do amor.
Normalmente quero tudo para mim. Ainda não consegui aprender a dividir o corpo feminino que mais gosto. Sei, são merdas que estão dentro de mim. Mas não sou capaz e por ora, sinto-me bem em ser assim.
Quando ouvi a tua aceitação, por alguns momentos, uma alegria de que me julgava, uma vez mais, incapaz, atolou-se na minha tolice. Neste meu corpo de menino. Na fragilidade imensa de te querer muito. Merda! Não, não me piquei, isso diria ôdase! Para se merecer alguém é preciso merecermo-nos primeiro a nós próprios, penso assim, porque sou tolo.
Merecemos prezar o amadurecer do que já hoje temos. Não quero perder a mão no que vivi. Isso é que sim. É o que interessa mais.

.. de mim, beijo.

(..de mim, para Z.. 05/Fev/2008 20:45)