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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Se desaparecer,

.. acha normal em mim.

Chegou a minha hora.

1
Em Setembro, espero fazer 33 anos de serviço na mesma empresa. Não vale rir. Sou do tempo dos nascidos em fidelidade. É certo! A vida prega-nos cada uma que, ninguém pode dizer em verdade; "desta água não beberei!".
Então é assim.
No dia 31 de Janeiro de 2008, pelas 10 horas e muito pouco, foi-me comunicado, com olhos desviados, a extinção do Departamento Artístico onde trabalhava. Extinto. Quer dizer, digo eu; extinto o meu lugar porque, o que fazia, digo eu; tirava o pão da boca às agências de publicidade que, ultimamente fazem parte do compadrio de alguém. Uma agência leva em orçamento, até 10 vezes mais, pior trabalho final, do que o que eu executava.

E agora que vou fazer?

Continuo na mesma empresa porque; quero, gosto muito do que faço (fazia) e por ora necessito. 33 anos é muito tempo. Até hoje, dei o melhor da minha carne à mesma. Na minha especialidade, sou considerado singular em; velocidade de execução e criatividade.

E agora que vou ser?

Não vou descrever o que vivi neste tantos anos. Dei tudo. Dei o meu melhor. Ajudei-a a crescer. A ser mais moderna. Mais séria. Mais humana.
Não quero descrever as muitas escusas de convites que me fizeram - empresas do exterior. De momento a revolta é enorme.
Não há palavras para confortar.

2
A velhice não chegou! Estúpido (dizem)! O que chegou foi a politica dos números.Dizem-me! Olha com os olhos abertos a hora dos telejornais e, atenta nos números, nas bocas mal abertas dos jornalistas que dizem o que lhes obrigam (não é para isso que são principescamente pagos?). O Governo de agora que, não é diferente dos que já passaram e dos que vão voltar (é o mais certo), dizem todos o mesmo.
Ouve-se a voz que recebe: “O Governo diz que, conseguiu no trimestre “y” 100.000 novos empregos para jovens”!!..

Poizé!.. Nunca dizem à custa de?

Os profissionais, os que mais experiência e afoitos são.. toca a colocar de lado, de qualquer maneira para que, outros (jovens, 1º emprego) entrem (a maioria com ordenados superiores).Não fui despedido (mas cá para o meu coração é a mesma coisa, digam o que quiserem, para me confortar)! Também não foi extinto por falta de brio profissional. Nem tão pouco por idade.A minha empresa é do estado, quer dizer é, uma empresa SA, com administração do Governo.Está tudo dito. Politica é politica. Nunca é justa.
A minha profissão acabou nesta empresa. Não interessa para nada as razões deles. Para eles, não interessam as minhas.

3
Passaram TRÊS ANOS que outros amigos foram. Os últimos. Nessa altura quase morri por eles. Passei mal. Fui abaixo. Adivinhei que um dia também estaria no lugar deles. Brutalmente revoltado.
Só vão escolher-me quando, conseguirem alguém que faça o meu trabalho. Digo. Penso.O preço não interessa para nada. O dinheiro é dos contribuintes. Hábitos das empresas do estado.

4
Chegou o dia 31 de Janeiro 2008.
Ouvi: Está dispensado do seu serviço.
E no dia 1 de Fevereiro de 2008, foi o pior dia da minha vida, profissional.
Agora resta-me ir todos os dias ver as paredes com mais e melhor atenção, as da minha empresa, porque estas, parece, a eles também, não as conheço.

E agora o que vou fazer?

Chegou a hora de sentir no corpo, alma, que a vida é mais frágil do que na verdade pensamos. De um dia para o outro, não somos nada. Hoje foi o meu dia.

5
Sou mesmo brutalmente honesto! Esta foi uma boa razão para os super me afastarem, sei!
Não “papo grupos de lambidelas”. Não faço qualquer rodopio a ninguém. Não confio NADA, nos “meus” chefes. Não merecem a minha confiança profissional. A incompetência prolifera a olhos alarmantes na minha empresa. Quem pode, não quer saber disso para nada. E não faz nada.
Falar de politica é o mesmo que escrever sobre injustiças. Roubos. Ladrões de mãos cheias.
Não fui contratado para ser o maricas que está sempre pronto a mostrar os dentes todos, quando os chefes lhes acenam. Quem isso faz, é porque é incompetente e não sabe defender-se com o seu trabalho. Normalmente, são os que não sabem fazer nada. Nem bem nem mal, nunca soube fingir. Todos os meus colegas de trabalho ao longe dos anos, sempre souberam, de fingidor, nunca tive o privilégio de o ser. O meu coração sempre esteve junto da boca. Pecado singular dos brutalmente honestos, apesar de andarem silenciados os meus sons, faz ano e meio.

6
Estou cansado de ver todos os dias, roubarem a minha empresa.

7
Pela incompetência..
.. um novo ciclo vai iniciar-se, para mim.
Não sei se vou ser capaz.
Acredito muito em mim.
As "razões" vencem.
De momento..
.. o coração caiu
.. e este, dói que se farta.


E agora o que vou fazer?


Nota antiga num passado recente:

28 de Setembro de 2006
Parabéns! Faço 31 anos.


(.. 01Fev’08)

4 comentários:

balexandre disse...

já passei por isso ... dar tudo, verem que são os melhores amigos, mas no fim ... nem precisamos de inimigos para amigos assim... não foram tantos anos, foram muito menos, mas a raiva instalada chega e sobra para dar a quem for...

...mas já me disse a mim mesmo, e a minha linha de vida tem sido assim:

"as coisas acontecem porque têm de acontecer"

tenho "n" situações dessas, e esta será (com grande força "é") um caso destes...

Força! pois é preciso nestes tempos vindoiros.

de:
um filho.

Unknown disse...

Seu pateta... entendo a dor...mas nada acontece por acaso... nao é o k dizes a todos?
Kando Deus fecha uma porta, abre uma janela...
Eu estou aqui...
Beijo

Anónimo disse...

Força.. ñ desanimes meu amigo. Lembra-te, a vida dá-nos momentos para tudo. Não será tempo de relaxar e dedicares-te a outras coisas!? Hum?!

Se fechares os olhos e respirares bem fundo.. o teu coração irá encher-se de alegria por agora teres mais tempo para te dedicares ao que mais gostas... Mulheres bonitas! Num é?! hehehe
(brincando...rs)

Beijo doce, Aluada

rompetiza disse...

Força amigo!
Passei só para te dar força, um pouco da minha, porque eu sei o que tu passaste e o que nós, que ainda aqui estamos, ainda vamos passar. Sabes quem sou. A colega do fundo. Eu vi as faltas de respeito, a má-educação de quem vem com o nariz empinado com cursos tirados em universidades obscuras, mas com mestrados em arrogância e na incompetência de quem nada sabe, mas pensa saber tudo. Eles nada valem e já começaram a cair. A nossa vez chegou ao fim de muitos anos, eles nem sequer chegarão aí. Mas isso não interessa nada.
Lembra-te de Fernando Pessoa, ainda hás-de construir o teu castelo com as pedras que te atiram e colocam no teu caminho. Por isso guarda-as todas. Vão fazer-te falta. Sabe-se lá se o mundo não acaba à pedrada, digo eu...

Muita força e um beijão.